sábado, 6 de setembro de 2008

Um olhar sobre o pré-sal


As recentes descobertas de gás natural e petróleo na camada de pré-sal, entre 5 e 7 km de profundidade, nos campos de Jubarte e Tupi, respectivamente nas bacias de Campos e Santos, em regiões ainda pouco estudadas e pouco exploradas, estão trazendo grande furor e expectativa tanto á população brasileira bem como ao mercado econômico interno e externo, mas para extrair os recursos é necessário constituir um modelo de exploração para determinar as diretrizes que deverá seguir, como também definir se a Petrobrás irá ser a única empresa a atuar na produção, e se o Estado será ativamente participativo no concurso. Outro fator é com relação às áreas já leiloadas para empresas privadas, que seriam exploradas arbitrariamente sem a regulação do governo. A formação de uma nova estatal para gerir o pré-sal, gerou polêmica já que deixaria em escanteio a manda-chuva Petrobrás, mas essa opção já foi descartada por Lula. A Petrobrás que por sinal está se revelando mais uma multinacional do que puramente uma estatal, com ativos em diversos países, a empresa também obtém lucros estupendos vendendo áreas de exploração para organismos privados. Para o presidente, o principal beneficiário tem de ser o povo brasileiro que segundo a constituição é o real detentor do petróleo sob a figura do Estado; os planos de Lula para com as reservas do pré-sal são ambiciosos e utópicos no sentido em que pretende acabar com a pobreza no país e ainda investir tudo o que o Brasil nunca investiu em educação. Toda essa pretensão esbarra na opinião bem fundamentada de alguns especialistas em economia que dizem ser inviável custear desenvolvimento e projeção social instantaneamente com os recursos provenientes do petróleo, e mais, uma adição tão grande de capital na economia poderia ser infinitamente mais nocivo ao câmbio, repelindo investimentos privados, geraria inflação e aumentaria de sobremaneira as importações, desfavorecendo o mercado interno, tudo isso tem sim uma relação de causa bem coerente, além disso, é fato que todos os países membros da OPEP são pobres, desiguais, centralizadores e com baixos índices sociais, assim como são as demais nações exportadoras, assim como é o Brasil, quando há 55 atrás Getúlio decretava que "o petróleo era 'nosso'".


Nesse entretempo de descobertas no pré-sal e previsões visionárias do futuro, nosso governo parece ter esquecido tudo o que se pôs a mesa de negociações com os biodieseis, não se ouve, se fala ou se lê mais nada sobre biocombustíveis; alguns que defendiam o louvável discurso ambiental que se fez em torno das energias limpas e renováveis, enfiaram a mão no óleo escurecido e seguraram a bandeira do pré-sal como forma de desenvolvimento a todo custo, sem cuidados ambientais. É uma grande responsabilidade determinar onde serão investidos os trilhões oriundos da comercialização da commodity, afinal, o que realmente se espera é que não sejam cometidos os mesmos erros de cinco décadas atrás, e que a tentação ambiciosa de um projeto de perpetuação no poder não sobre caia aos alquimistas que farão revolução com petróleo.


“A riqueza do petróleo produz dólares, mas não desenvolvimento instantâneo” Ricardo Hausmann- Professor-economista Harvard.

terça-feira, 26 de agosto de 2008

Insolubilidade

As casas legislativas brasileiras vêm sendo afetadas por um processo que tem como objetivo filtrar os elementos impuros que perduram na sua composição, esse dito processo tem uma espécie de metafunção, como se os assuntos na pauta das câmaras, assembléias e plenários fossem os próprios políticos e seus desvios de conduta e lapsos de decoro parlamentar, corrupção ativa, passiva, dentre outros vários tipos de putrefação; todos esses acasos que os políticos impuros produzem são observados, analisados nas CPIs, e ai é que está a questão, pois, as comissões parlamentares de inquérito roubam a cena, e tomam para si a atenção que poderia ser prestada a temas de maior necessidade e relevância. É sempre assim, e o saturante é que não gera resultado concreto, não causa dano algum na prepotência material e humana dos elementos, e nem um modelo de punibilidade aplicável á outros sujeitos da mesma casta, e, sobretudo, escapam da memória da sociedade como um gás ultra-volátil.
O grau de insolubilidade desses elementos varia positivamente no momento em que há a fusão entre eles, as substâncias-os partidos- compõem a parte agregadora que os torna quase imbatíveis; com o bônus do foro privilegiado e da impetuosa imunidade parlamentar muitos saem da sociedade civil como bandido e buscam a eleição para fugir dos processos ou levá-los ao superior tribunal, porque sabe que chegando lá terão um vasto período de tempo até o possível julgamento. Por falar nisso, a não divulgação e impugnação dos “ficha suja” foi mais um duro golpe na ‘beta’ democracia, os candidatos com sentença condenatória transitada em 1ª estância não terão seus nomes submetidos ao juízo de valor da sociedade, logo, teremos semicriminosos concorrendo a prefeito e vereador.
Também graças aos “poderes supremos” do poder público, que restringiu a ocasiões excepcionais, o uso de algemas é exclusivo para os casos em que haja reações ácidas dos detidos, uma medida que na frente das câmeras irá obter grande êxito. O glamoroso caso nepotismo fruto de CPI, e que obviamente foge dos nossos interesses reais, pois é o político quem contrata os parentes, entrou na pauta nacional novamente, quando o STF resolveu desenterrar a polêmica e vetar definitivamente a contratação de parentes até 3º grau nos três poderes; a brecha dessa vez está mais para uma fenda bem larga, a inobservância está no fato de que entre os elementos e substâncias impuras há uma resistente ligação covalente, eles operam mutuamente, um contrata o parente do outro, e assim a cadeia de corrupção pode prosseguir ininterruptamente. A reforma política descentralizadora, ampla e responsável seria a solução ideal para esse sistema, mas, a solução real surge no período das eleições que é quando há a mistura homogênea: político-povo, eles invadem a sociedade, e é ai que ocorre o assédio moral ao voto, e ao povo detentor desse instrumento seletivo cabe examinar o caráter do político e o seu próprio caráter e daí fazer a depuração correta.