domingo, 11 de janeiro de 2009

Tiros para quê?

Depois de uma semana sem novidades quentes no noticiário, abdiquei do óbvio e não irei falar da guerra no oriente médio, chega de conflito, guerra, maldade, tiros, mísseis e foguetes, vou falar sobre algo que tem matado bem mais do que qualquer guerra. Os motoristas brasileiros, usuários dos matadouros de asfalto ralo talvez não saibam, mas no trânsito, em oito anos, foram registrados mais de 2,5 milhões de acidentes no Brasil, com 254 mil mortes, segundo a Associação Brasileira de Medicina do Tráfego. E dentre os fatores podemos começar a enumerar com a histórica falta de observação e o descaso com que o Estado como um todo trata a infraestrutura rodoviária. Somando isso à idade sexagenária da frota automobilística que trafega por estradas de barro esburacadas, adicionado ao despreparo na formação dos pilotos-motoristas, consumidores que compram os testes de habilitação entrando nas vias e autoestradas pelas portas da clandestinidade, sendo um risco em potencial para os pedestres e a outros clandestinos, por não conseguir tirar a carteira “na raça” como se diz na gíria popular, os novos motoristas procuram a alternativa mais acessível nos DETRANS da vida. Mas essa lacuna existente no condicionamento intelectual e psicológico que os motoristas estão submetidos em sua pseudoformação, poderá ser preenchida com o aperfeiçoamento da legislação do código de transito, que a partir desse ano irá requerer o dobro no número de horas-aula, tanto teórica quanto na prática da pilotagem em vias públicas. E a demonstração mais evidente da ausência estatal no âmbito da composição infraestrutural de trafegabilidade no Brasil, vê-se privatização das principais vias e corredores, entregando ao pedágio a sua falta de intervenção e atuação política. O máximo esforço empregado pelos governos, tanto federal quanto estadual, são as dispendiosas operações tapa-buracos, que se limitam a roçar a vegetação das margens das pistas, colocarem placas de sinalização, que logo serão recobertas por uma crescente camada de “mato”, gasto de milhões em um recapeamento, se é que podemos chamar disso, que vai com a correnteza logo na primeira ou segunda chuva que vier. 

As leis também não têm muita serventia na prevenção dos acidentes, a própria lei seca, que no seu até então, período de vigência, só se viu aumentar a quantidade de tragédias relacionadas à dupla: direção mais bebida.  Foram concedidos à iniciativa privada, por 25 anos, todos os problemas de manutenção das estradas que as quais fluem os produtos de exportação, os leilões da ANTT, deixaram nas mãos de empresas privadas quinhentos anos de irresponsabilidade e descaso; em troca das boas condições de tráfego os usuários dessas vias são penalizados através do pedágio, este, que não é descontado nos impostos dos automóveis. E mais, em 2006, o IPEA demonstrou que os impactos sociais e econômicos dos acidentes de trânsito nas rodovias brasileiras são bastante significativos, estimados em R$ 24,6 bilhões, principalmente relacionados à perda de produção relacionada às mortes das pessoas ou à interrupção das atividades das vítimas. Além dos custos diretos, há vários outros, como a desestruturação familiar e pessoal. Os acidentes de trânsito matam hoje mais de um milhão de pessoas por ano em todo o mundo, os países perdem de 1% a 2% do PIB com gastos relacionados aos acidentes automobilísticos. O SUS informa que em 2006 foram 123.061 internações, divididas entre atropelamentos e acidentes de motos. As estatísticas relacionam ao consumo excessivo de bebidas alcoolicas, alta velocidade, não uso de capacetes ou cinto de segurança, e problemas de infraestrutura em vias e rodovias públicas. O número de adolescentes que morrem na faixa de Gaza também não se compara com a quantidade que sucumbem nas nossas corruptelas. Só para encerrar; uma ironia se instala em terras alemãs, onde as auto-bahns, superestradas que não têm limite de velocidade, em que os carros “voam” com extrema segurança, num tapete de asfalto, quis o destino fossem projetadas por um engenheiro brasileiro, pernambucano, Antônio Bulhões. Essas suprestradas são custam menos que os nossos matadouros de piche e barro.

10 comentários:

Morango com leite condensado disse...

Infelizmente isso é a realidade brasileira!!! É um absurdo...

Dirigir exige uma responsabilidade enorme, mas muita gente não se conscientiza disso.

Bjos

I want it all ~ disse...

Brasileiros, tsc tsc.

SHAUISHUIAHSUIAH

Mas ainda tem jeito! Ou não.

HSUAHSUIAHSUIAH

:D

Beijos :*

Felipe disse...

E como vc disse: 500 anos de atraso.

José Ewertton (Vevé) disse...

Brasileiros, tsc tsc.

SHAUISHUIAHSUIAH

Mas ainda tem jeito! Ou não.

HSUAHSUIAHSUIAH[2]

Sub disse...

O sistema rodoviario brasileiro e uma lastima, os usuarios estao abondonados a propria sorte.

Márcio Daniel Ramos disse...

Ressalta-se, no entanto que a Faixa de Gaza é uma terrinha pouco maior que a área do município de Boqueirão, enquanto o Brasil tem dimensões continentais, a mesma comparação vale para população, portanto deve-se evitar comparações entre guerras de fato e guerras de transito.

Quanto ao tema mais precisamente, a impressão que me dá quanto à condição das estradas é que o governo pouco faz para melhorar a trafegabilidade com o objetivo de persuadir veladamente os motoristas a serem a favor da estatização viária. Fora isto à corrupção nos DETRANS é a causa maior de maus motoristas.

Eu também teria outras considerações sobre o tema, mais me detenho a comentar apenas sobre o que está no artigo, como sempre muito bem feito, Parabéns!

paty disse...

e a lei sece hein? deu em nada

Anônimo disse...

"o IPEA demonstrou que os impactos sociais e econômicos dos acidentes de trânsito nas rodovias brasileiras são bastante significativos, estimados em R$ 24,6 bilhões".. será tudo isso mesmo??????

Cintia Pereira disse...

As nossas estradas mal-conservadas matam mais que algumas guerras mataram. E aí, eis que muita gente começa a achar que o melhor é privatizá-las, esquecendo-se que as privatizações de certa forma acabam enriquecendo alguns poucos e tirando do governo a responsabilidade de empregar o dinheiro público nas rodovias.

André Luís Leite disse...

faz mais de 25 anos que baixo o cacete nesta podridao - dirijo muitas horas do dia e vejo coisas que deus duvida - vou te dar a real - muitos que se acidentam merecem morrer pois sao bichos que nao pensam atras do volante. quando vejo alguem fazendo pega torço para um acidente...sério...bom motorista é prejudicado pela motorista assassino. o ruim é que gente boa morre tambem. morrer 60000 pessoas por ano por incompetencia e desejo de correr...ja viu alguem morrer andando a 50km/h???todos sabem que nao existem estradas no brasil...teria que se recolher os veiculos de quem corre alem de fazer antidoping - quanto aos politicos...ANTT - so degolando e deixando suas cabeças espostas tamanha sua nulidade numa sociedade.