De lá o The New York Times indagou: de quem realmente é a Amazônia? De cá Lula respondeu: do povo brasileiro. Mas será que o presidente tem razão?
Em meio à troca de ministros do meio ambiente Marina Silva por Carlos Minc, o jornal americano levantou a questão, sobre quem de fato deveria ter o domínio da floresta amazônica, defendia também a internacionalização da mesma.
A operação Arco de Fogo, da Polícia Federal, iria coibir os desmatamentos ilegais, ou seja, os reais donos da mata: os madeireiros, barões da soja e criadores de gado, já que o IBAMA sozinho não tem pessoal e força jurídica pujante para conter estes que são a principal causa da destruição ambiental na região; mas a operação foi sutilmente reprimida em alguns estados, onde governadores cúmplices da desordem, interviram e pressionaram politicamente.
O novo ministro, Carlos Minc, liberal progressista, não pelo partido, mas sim por suas ações, parece que vai superar a estagnação da política ambiental usando a tática do "um morde o outro assopra"; o ministro disse que vai "agilizar" as concessões ambientais, em troca, já anunciou a liberação de 1 bilhão para recuperar áreas degradadas da floresta. O discurso do (PAS) Plano Amazônia sustentável, que busca um crescimento equilibrado na região, está sendo confundido com o (PAC) que visa o progresso infra-estrutural sem grandes preocupações ambientais.
Os índios também fazem parte do bioma Amazônia, e estão sujeitos ao descaso e esquecimento político-social, o que os torna alvo fácil para ação de interesses econômicos, a reserva indígena Raposa Serra do Sol é um exemplo, desse tipo de prática. Segundo políticos nortistas, ONGs que atuam na Amazônia sob o manto da defesa ambiental, defendem interesses estrangeiros nas riquezas minerais do lugar. Infiltradas nas comunidades, essas organizações financiam entidades em Roraima que defendem as reservas indígenas contínuas na Amazônia para não permitir o maior controle brasileiro sobre essas áreas. A operação Upatakon 3, da PF, visava retirar toda a população não-indígena de dentro da reserva, mas foi suprimida por ação do governo de Roraíma. Somado a isso as declarações do general Augusto Heleno, de que a política indigenista é caótica e ameaça a soberania do país, não foram bem recebidas pelo governo Lula, que o repreendeu e reprovou sua atitude. Voltemos à pergunta do início; Lula pode até ter razão em dizer que a Amazônia é dos brasileiros; mas, de que brasileiros, o presidente é um desses brasileiros, então por que ele não age pessoal e afetivamente em defesa desse patrimônio que antes de ser um objeto de disputa, e uma área de uma imensa biodiversidade e com grande importância científica, biológica, ecológica, climática e geográfica para todo o planeta.
"A Amazônia não pertence somente aos brasileiros, e sim ao mundo" Al Gore- Ex-presidente americano e vencedor do prêmio Nobel da Paz.
sábado, 31 de maio de 2008
À soberania da Amazônia
Postado por 1 às 01:55 31 comentários
Marcadores: Brasil, Cultura, politica. mundo.
segunda-feira, 26 de maio de 2008
Acordo ortográfico: contraponto
O acordo que uniformiza a ortografia dos oito países de língua portuguesa(Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste) nem entrou em vigor ainda, mas desde já causa polêmica em algumas frentes da sociedade, tanto brasileira como portucalense; as outras nações de menor expressão envolvidas, não entram ativamente no mérito da questão, primeiramente porque seria inútil, eles não têm peso político, segundo, porque diferente dos seus primos lusófonos "ricos", há coisas mais ponderáveis a tratar. As resistências maiores são em Portugal, pois o tratado modifica 1,6% do seu vocabulário, e apenas 0,45% do brasileiro; eles reclamam que haverá uma "abrasileiramento" da língua, até mesmo porque palavras com consoantes mudas (ex.: projecto, óptimo) que são comuns e estão na raiz histórica do país, irão desaparecer.
No Brasil, a TV Globo apresentou uma reportagem no jornal nacional sobre esse assunto, só que transmitindo a informação a partir de uma visão maniqueísta e positivista, típica e 'natural' dessa emissora. Mostrou-se somente os poucos pontos positivos do tratado, deixando de fora do saber público "menos instruído", várias questões. Por exemplo, os custos social e financeiro, os gastos com a mudança, milhões de livros obsoletos irão para o lixo ou serão queimados, uma fortuna será gasta para repor o acervo de bibliotecas, escolas e outros.
Outro fator, e esse um fator político-capitalista, é que as grandes editoras de Portugal e principalmente do Brasil, já visam esse mercado africano, não que esses países tenham um grande contingente de leitores, mas governos costumem comprar muitos livros didáticos, um exemplo crasso desse tipo de prática é o nosso país, embora a compra seja interna e o livro não chegue sempre nas mãos do seu destinatário. O interessante é que já havia uma concordância ortográfica entre Portugal os países africanos de língua portuguesa e o Timor Leste, esse acordo só era quebrado pelo Brasil; talvez fosse esse o momento de consolidar um idioma próprio e único, como símbolo e patrimônio do nosso país, tal qual Policarpo Quaresma. Ainda sobre as desvantagens do acordo filólogos e gramáticos divergem sobre a real importância da unificação; uns dizem que é imperfeita e parcial, outros falam que há um necessidade de difusão internacional do Português, para isso é indispensável a padronização.
A verdade é que essa reforma trará mais contras do que prós; com a supressão do trema (¨), palavras como eqüino (cavalo) e equino(ouriço-do-mar), ficaram sem distinção, o acento diferencial também sumirá, vocábulos como pára (verbo) e para(preposição), ficarão isográficas, dificultando a interpretação, embaraçando a compreensão. Sai perdendo o usuário da língua e o leitor da grafia.
Imbróglios lingüísticos ou linguísticos a parte, o fato é que a língua é o principal instrumento da comunicação humana, constrói suas relações, sendo o elemento mor daquilo que é tido como nação.
"A língua é aquilo que abre nossa mente, é aquilo que nos possibilita compreender o mundo, portanto a língua é aquilo que nos faz mais humanos" José Luiz Fiorin-professor de Lingüística da USP.
Postado por 1 às 18:09 31 comentários
