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domingo, 20 de setembro de 2009

Quem caça, quer caça

O trocadilho infame do título desse artigo não foi posto por mero acaso poético, ele assim foi escrito para se coadunar com o ‘ridículo fiasco’ que está se promovendo com a compra dos jatos- caças, submarinos e helicópteros para modernizar o arsenal das forças armadas, como também desenvolver a área tecnológica de armamentos no Brasil. Os submarinos custariam 19 bi, os helicópteros 5,1 bi e os Jatos 28 bi - 52 bilhões no total, o equivalente a 1,8% do PIB, ou seja, uma bagatela considerável. Três empresas estão no páreo das vendas: uma francesa, uma sueca, e outra norte americana, que fizeram propostas diversas ao governo brasileiro, mas pelo visto, neste caso, quem levará não será quem apresentar a melhor oferta.

O problema se excedeu quando Lula proclamou abertamente que optaria pelos caças Rafale, da empresa francesa Dassault, sendo logo em seguida contrariado pelo ministro da Defesa Nelson Jobim, que disse ainda estar aberto o período para o envio de propostas e pronto para negociar com as outras empresas. No caso dos EUA, o próprio Obama telefonou para Lula para tratar do pacote tecnológico que o congresso americano permitiu transferir para o Brasil, caso a compra seja consolidada em favor dos caças Super Hornet da empresa americana Boeing. O que com certeza Obama fez questão de não tratar foi da política agrícola protecionista americana, assim como o bloqueio com relação à entrada do Etanol brasileiro nos EUA.

O que ficou clarividente foi o papel do Estado na figura dos seus líderes estadistas, interferindo direta e efetivamente no mercado privado como agenciador nas transações internacionais que envolvem setores estratégicos do poder de uma nação, nesse caso, a tecnologia de ponta. E essa prática foi sintetizada na frase do presidente da empresa Dassault, em que ele diz: "Foi Sarkozy que vendeu o Rafale"

A verdade é que Lula parece não querer barganhar sobre o produto da compra, aparenta já estar decidido, para ele pouco importa quem oferta com o melhor custo beneficio. Nota-se isso que a decisão estava prescrita quando ficou acordado que Sarkozy viria para as comemorações do 7 de Setembro no Brasil, esse fato, politicamente, não demonstra ter nenhuma conexão com o “Ano da França no Brasil”, mas sim é um protocolo estritamente político.

O governo brasileiro fez piada da proposta da sueca SAAB, que ofereceu o caça Gripen por um preço que é metade do valor de mercado; o ministro Nelson Jobim disparou: "É venda casada? Compra uma garrafa de cerveja e ganha quatro de guaraná?"

O presidente do Brasil deveria ter negociado com o presidente francês a compra das aeronaves, mas com parceria de troca mútua, pois ele, Lula, sem dúvidas não se lembrou da PAC, a Política Agrícola Comum da União Européia, cuja França é a principal barreira, defensora das altas tarifas, e categoricamente contra a entrada produtos brasileiros no mercado europeu. O que o presidente quer mesmo é maior apoio dos franceses no conselho de segurança da ONU, uma vez que a França já apóia o Brasil o que faltaria agora era um maior lobby de Sarkozy. A vaga de membro permanente no conselho da ONU é um anseio de Lula desde a primeira vez que ele pisou no palácio do planalto; o envio das tropas brasileiras para o Haiti deixa isso óbvio. A falha diplomática do Brasil foi quando Lula abriu, precipitadamente, a boca para reverberar apoio a compra dos caças franceses, deixando meio que balançadas as relações com EUA e Suécia, países com estreitos contatos econômicos com nosso país. Comprar esses jatos foi como escolher comprar um objeto valioso entre três amigos, onde somente um sairá venturoso, e só depois de efetuado o negócio, saberemos quem é amigo de verdade. Dar uma fatia do PIB para comprar a diplomacia e receber boa vontade dos países (52 bilhões). Ter nas mãos o poder de criar 5000 empregos diretos na indústria francesa, sueca ou americana, não tem preço. Existem coisas que o dinheiro não compra, para todas as outras existe mastercard.

domingo, 6 de setembro de 2009

Twitter, Orkut e nada mais


As redes sociais web Orkut e Twitter atualmente têm aglomerado uma parte considerável dos internautas brasileiros. Principalmente o Orkut cujos dados impressionam. De acordo com inforamações divulgadas pelo Ibope, o Brasil tem 25,5 milhões de usuários residenciais. Do total, cerca de 17,85 milhões utilizam a rede do Google. Ou seja, o Orkut alcança, mensalmente, 70% dos internautas. O Twitter é um fenômeno, este cresceu 1382% de um ano, mas no Brasil os números referentes ao acesso ainda não atinge o patamar orkutiano, se levarmos em conta os três primeiros meses de 2009, o número de visitantes ao Twitter foi de 979 mil. A cifra, porém, não significa que o serviço de microblog tenha quase um milhão de usuários ativos no Brasil.

As diferenças entre Orkut e Twitter não pairam apenas nos dados sobre acesso, as características dessas redes de comunicação, vão além disso; do ponto de vista da segurança, o twitter é mais vulnerável ao ataque de crackers e hackers, pois os links que trafegam no microblog geralmente são criptografados, e também existem muitos perfis falsos, que quando clicados infectam o perfil do usuário com uma enxurrada de spams. O Orkut até pouco tempo era constantemente alvo de ataques, entretanto o grupo Google dispôs de um pacote de ferramentas dentro do próprio site Orkut, para a proteção do usuário e de sua privacidade. Outro fator é com relação à impessoalidade, neste caso em haver uma conexão de pessoas, que na realidade é apenas uma suposição, uma mera presunção de que aquele outro individuo virtual tenha uma interação social. No Orkut, por exemplo, os “Amigos” podem interagir livremente, como se fosse um “corpo-a-corpo”, diferentemente, no twitter onde as personalidades chamadas de “seguidores” dão uma falsa impressão de interatividade, quando apenas enfatiza o emissor da mensagem, eliminando o debate e a troca de idéias.

Vale dizer que o Twitter funciona no campo da comunicação declaratória. Não existe construção de idéias, preza-se o dinamismo, o “mini-resumo”. Muitos utilizam como um Big Brother Virtual, irritantemente, escrevem no seu tweet qualquer ação, qualquer coisa que estejam fazendo naquele momento, isso ocorre, talvez, devido ao serviço de portabilidade que o twitter dispõe. Assim, o usuário do twitter tem poder de mostrar aos seus “followers”, a própria vida em tempo real, ao vivo e sem cortes, se assim desejar. É a nata mais aparente do modelo de comunicação veloz da juventude.

O Orkut por sua vez, vem decaindo drasticamente, o excesso de publicidade que invadiu e se alastrou pelas páginas e scrapbooks acabaram por afastar muitos usuários, alem disso o grande numero de perfis falsos (fakes) e a difusão indiscriminada de conteúdo pedófilo, contribuíram, também para frustrar a experiência de utilização do serviço por pessoas que se consideram desconfiadas com o destino e privacidade de suas fotos e informações pessoas. Já que recentemente o Ministério Público e a Policia Federal quebraram o sigilo de diversos perfis, em busca de informações sobre crimes virtuais, mais precisamente imagens de contexto pedófilo.

O twitter é designado como tendo um público mais esclarecido e formador de opinião do que utilizadores do Orkut, diz-se por isso que não se popularizou vastamente no país. Para sustentar essa insubstancial hipótese, os seus precursores afirmam que o twitter não é compatível com o internauta médio brasileiro.

Um traço muito interessante no Twitter é porque tornou um ponto de encontro entre famosos e fãs, não que isso denote uma literal interatividade, mas pelo menos ocorre um contato, unilateral é claro, e a mensagem quase sempre é multidirecional, embora esta mensagem encontre uma audiência efetivamente grande. O mesmo não acontece via Orkut, pois lá é campo aberto de batalha e debate. Ali, os famosos e poderosos têm medo de se expor. Equivale a se apresentarem no meio da multidão, em praça pública.

No Twitter a interação: famoso X famoso, é constante, os desentendimentos não. Mas desde a apoteose da presença de pseudo-famosidades e personalidades da nossa vida não-virtual no site, o bulício ganhou destaque nos programas e sites de fofoca, assim como nos fóruns da web em geral. Tivemos e vimos várias desavenças, o mais recente foi a crise sobre a “sena” que a filha de Xuxa, a Sasha, escreveu no tweet da mamãe, o erro ortográfico causou um frisson, da mesma forma que o retruco que Xuxa deu nos internautas que criticaram a filhinha querida. Antes dessa, Rubinho Barrichello e o Repórter Vesgo protagonizaram um causo por causa da famosa “mola” do carro do piloto. A política também está inclusa no pacote de micos do twitter; o Senador Aloísio Mercadante que publicou na sua página no site que sairia da liderança do PT, teve de colocar a cara e voltar atrás da decisão no mesmo twitter, o que constrangeu não somente ele, mas seus aliados “twiteiros”, e ainda por cima, o mesmo foi esculachado pelos seus opositores políticos-internautas. Falando em opositores e oposição ao governo; a figura de Sarney foi a síntese do significado do twitter, pois a campanha #FORASARNEY (sic) foi entoada a partir do Twitter, e engendrada em sua base pelo perfil twiteiro: Juventude DEM, criou-se a partir daí um hit na internet, o fora Sarney deixou claro e evidente de como a estruturação das idéias são “formadas” nesse twitter. Ou seja, grande parte dos internautas usuários do site pediam em seus perfis e entoavam em seus tweets: #FORASARNEY, entretanto nos 140 caracteres ninguém explicava que o presidente do Senado está por aí há 45 anos, que a bronca tucana é oportunista, que Arthur Virgílio é um bandalho e que o movimento midiático faz parte de um projeto de desestabilização do governo Lula. Só.

domingo, 26 de abril de 2009

Democracy airlines


Nem causou espanto. Perplexidade? Tampouco. A farra das passagens aéreas dos deputados e senadores foi somente mais uma maracutaia, falcatrua, traficância dentre inúmeras que nos adaptamos a observar passivamente. Antes, pelo menos havia gestos indignados diante à corrupção deslavada, nesse passado pouco recente, sempre algum membro honrado do nosso parlamento, mesmo que só para ganhar evidência na mídia, levantava a bandeira da ética e da moralização democrática, mas hoje a democracia é confundida com permissividade. Dessa vez o cinismo extravasou todos os limites aceitáveis da mundialmente conhecida má-conduta do político-mafioso-brasileiro. Agora, vimos cair a auréola virginal de alguns políticos tidos como politicamente éticos. Até mesmo Fernando Gabeira assumiu que sujou sua imagem. A vergonha está se dissolvendo, pela certeza da impunidade futura.

E o pior, isso ocorre no nível máximo e no mínimo; vem lá do ninho, quantas vezes já não foi mostrado vereadores fazendo turismo com o erário público. Em 2008, foram gastos 78 milhões com passagens aéreas somente pela câmara; junto a isso 1881 bilhetes internacionais, a exemplo do deputado Dagoberto (PDT-MS) campeão em voos para o exterior, ao certo na sua jornada de política externa, deve está tentando conquistar o mundo. Por outro lado, a maioria dos parlamentares questionaram a proibição de repassar bilhetes para parentes; agora o momento diversão, o deputado Silvio Costa (PMN-PE) afirmou que as novas normas poderiam provocar o fim do seu casamento, soltando a seguinte pérola: “Assim vocês querem que eu me separe”. Fato interessante e relevante: os representantes do Distrito Federal no Senado e na Câmara recebem uma cota de 3,7 mil reais para gastos com passagens aéreas, embora eles não precisem realizar viagens para comparecer ao congresso, na nova regra que está tramitando isso não será modificado, não pergunte o porquê. As novas regras, que ainda não estão em vigor, ditam que somente os deputados poderão receber passagens aéreas e somente para vôos nacionais. Os gastos serão publicados na internet. O texto da Câmara, com as tais novas regras deveria entrar em vigor imediatamente, mas, devido ao protesto e “cara feia” dos deputados, o benevolente presidente da Casa, Michel Temer (PMDB-SP), decidiu levar o tema para votação em plenário, com isso o projeto poderá receber as emendas, ou se preferir, brechas. Lembrete: o próprio Temer assinou o ato 42 da mesa diretora no ano 2000, na sua primeira gestão, que instituiu a cota de passagens e abriu caminho para o uso do beneficio por terceiros.

E a Democracia vai pelos ares.

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Big Broadway Brazil


O Big Brother n começou, e com ele o período em que milhões de pessoas desperdiçam kilowatts, e mais kilowatts de eletricidade para assistir esse esboço de programa, que por sinal apresenta algumas particularidades interessantes dentro dessa esfera televisiva pós-moderna. Em sua curta vida, o Big Brother Brasil já tem um papel relevante no que tange a movimentação de dinheiro no mercado de revistas de conteúdo erótico e pornográfico, a cada nova remessa, pelo menos 60% dos bbb’s pousam nus, as espiadinhas parecem estar dando bastante lucro, e nesses tempos de crise sabe como é. Entre as diversas e divinas atribuições do bbb, está o dever patriótico de renovar a composição de meta-celebridades que muito em breve atuarão nas baladas desse Brasil varonil, que é gigante pela própria natureza e um impávido colosso. Cada nova edição do Big Brother abre vagas e dá um novo brilho, ou melhor, recicla o “profissional” ex-bbb, que vê essa temporada de safra como uma nova oportunidade de se vê na tela, de expor sua imagem no mercado midiático. O ritmo ciclotímico gerado por Bial e seus comparsas não se encerra ai, o bb também é um termômetro, um indicador, do padrão sócio-cultural que vigora em determinadas classes da sociedade; para a casa mais espiada do Brasil só entram perfis que atendem a uma determinada linha estética, ou você já viu algum desempregado desdentado relaxando na sauna do bbb. Outra intendência desse programa é a de ser um prato cheio para os blogueiros, uns espinafram, esculacham sem dó nem piedade atacando de um ponto de vista racional, mas outros, desavisados, escrevem com pieguice própria de telespectador viciado nos melodramas da casa. O efeito causado pelo Big Brother Brasil é mais visível após o termino desse programa, é quando um punhado de “Rafinhas, Natálias, Tatis e Fernandos” são lançados ao mundo real. Esses novíssimos pseudoartistas permeiam na nossa telinha, mas não nas telonas (deu pra sacar a ironia?). Na parte de divulgação, propaganda e marketing do bbb o que chama a atenção é um ato de grande criatividade e ao mesmo tempo oportunismo; o cartel montado em conjunto pela Globo e RedeTV, enquanto a primeira cede as imagens exclusivas do programa, a RedeTV ganha audiência vinculando, à tarde toda, no programa de Sônia Abrão, flashes, namoros, brigas e outras fofocas que rolam dentro da casa dos bbb’s; um mutualismo perfeito. Por mais inútil que pareça, o bbb faz sucesso, já foi também um fenômeno de audiência no começo, mas hoje em dia não tem o mesmo vigor. O formato do Big Brother fez e faz sucesso em outros países, principalmente nas camadas inferiores da sociedade, cumprindo assim o seu papel massivo. Depois de tantas críticas, Voilà, eu assisto o big brother. Mentira.

sábado, 13 de dezembro de 2008

O clima de Natal

Alegria, amor, festa, fé, luzes, papais noéis, presentes, neste Natal, diante da frágil situação econômica que o mundo esta envolto, e do modo como as coisas estão arranjadas no nosso país, temos que aguçar nossos sentidos e ainda rever alguns conceitos ultrapassados que insistimos em conservar. É verdade que em varias ocasiões a mídia atemoriza a população, e isso não é de agora, desde o inicio da redemocratização onde o cenário inflacionário emergia como o grande vilão das finanças do país, o jornais já cumpriam seu papel de super-alertar o povo, e hoje acontece semelhante, o discurso conservador de “poupar para prover” já vem sendo mastigado há muito tempo. Mas a lógica da economia é outra, e cruel, e perversa, se não houver consumo por parte da população, ela mesma vai sofrer com o desemprego gerado pelo “efeito domino no circulo espiral”, que evolui derrubando a partir do arco maior até o menor. Por isso é necessário e prudentemente essencial mantermos a economia aquecida, para nos mantermos resguardados de qualquer má influência do derretimento do mercado americano. Isso não é apenas uma questão de repetir o discurso lulista, mas sim a maneira de continuar a percorrer a senda do desenvolvimento e crescimento com bases sólidas. O governo esta realmente tomando as precauções corretos com relação à oferta de credito ao consumidor, porque, como disse o presidente: "Se a gente permitir que a economia pare, estamos desgraçados”.

 
O Brasil é o país do ano em infra-estrutura segundo a Agência de Comércio e Desenvolvimento dos Estados Unidos, temos hoje as menores taxas de desemprego da historia da nação; manter esse panorama estável e algo imprescindível para os anseios de evolução que queremos para o futuro do país. Nesse Natal o amor deve ser canalizado ao nosso próximo, às vitimas das enchentes em SC; deixar avarezas e mesquinharias fora da ceia; não precisa economizar nas luzinhas e nem nos enfeites da árvore, Natal no vermelho, só mesmo a roupa de Papai Noel. Para se ter boas festas e uma comemoração despreocupada, basta um pouco de comedimento e sensatez na hora de escolher e ingerir o prosecco. E para viajar nas férias o melhor destino é o Brasil, investir em nós mesmos, índole de fraternidade, condescendência; o turismo também é uma forma de mercado que deve ser largamente consumido pela população, sobretudo, internamente. Porque não buscar conhecer os vários brasis, esse ano, nada de neve e nem bonecos de neve, tampouco anjos de neve. Com o dólar instável, subindo mais do que diminuindo, torna-se, digamos, mais solidário, aplicar na nossa moeda, nosso dinheiro, que de uma forma ou outra retornará para nós como beneficio. O brasileiro comum deve abster-se dessa onda de crise, fugir com destreza da paranóia que a imprensa esta criando. Metaforicamente. ‘O intento nesse Natal é incorporar o espírito de consumo americano, tendo fé na economia, e acreditando que a salvação está dentro de si mesmo’.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Balanço final

Considerada essa uma das melhores temporadas de futebol na historia desse esporte no Brasil; em 2008 não faltaram emoção, vibração e nem gols, muitos gols, mas está chegando ao fim, contudo, mesmo com números estatísticos lucrativos e entusiasmantes, em termos gerais não podemos afirmar que esse tenha sido um ano ímpar nem dentro e tampouco fora do campo de jogo. Os erros e camaradagens de toda a vida futebolística brasileira continuam embaraçando e desafiando o brio do esporte mais praticado aqui, a maldição do dirigente-ditador-amador ainda persiste em alguns clubes, os quais estão em situação nada animadora com relação à estrutura física e material humano. Ainda no ambiente externo aos gramados, o órgão disciplinador do desporto no país também se apresenta ostensivamente incôngruo e desaprumado, largamente criticado por absolvições inaceitáveis, em outras vezes por punições exageradas, está sempre no foco da polemica, não obstante disso tem poder limitadíssimo, qualquer ação por mais fervorosa que seja em diversas ocasiões e restringida por simples liminares, armistícios, etc. e tal. O famigerado efeito suspensivo é outro dos males do STJD, causou grande furor em julgamentos de jogadores importantes, que acabaram isentados da pena. Ainda fora de campo, a imprensa esportiva continua a mesma, senão pior, o jornalismo bairrista recheado de interesses subsiste vulgarmente; o desaparecimento da mídia de jornalistas com credibilidade, em revés com aparecimento de crápulas libertinos sem instrução moral é um fato a lamentar e a colocar no altar da decadência da mídia –marqueteira-esportiva brasileira. Exportar jogadores brasileiros nunca foi um negócio tão rentável como nos últimos anos. Em 2007 a venda de atletas para o exterior bateu recorde, atingindo a marca de US$ 222,6 milhões. A balança comercial do futebol em 2008 apresentou um sutil equilíbrio, isso graças a um fenômeno inédito, a grande invasão de jogadores estrangeiros, sul-americanos, principalmente argentinos, chilenos, mas não há exceção, tivemos bolivianos, paraguaios, uruguaios, colombianos, todos aos montes, estamos mais atrativos ou estamos produzindo menos talentos? Talvez sejam a combinação desses dois fatores, aliado a grande “fuga de cérebros” talentosos para países sem expressão no futebol mundial, arábias, EUA, leste europeu, etc.. Craques no nosso país só se estiverem em recuperação ou em fim de carreira; a nova moda é declarar amor a um clube antes de ser transferido para o exterior e dizer que um dia deseja voltar a esse clube. 

O estatuto do torcedor consolida-se como uma lei que não pegou, e mais, transformou-se num desrespeito, pois, a partir do momento que não há o cumprimento do estabelecido, o principal interessado sai lesado, ofendido, prejudicado com a falta de responsabilidade dos administradores dos clubes e federações. Nas arquibancadas a festa da torcida continua sendo um espetáculo à parte, em alguns estádios as famílias voltaram a freqüentar os jogos, embora isso não seja uma constante. Entretanto, as brigas entre torcidas organizadas estão cada vez mais se aperfeiçoando, agora os torcedores brigões marcam pela internet o lugar do embate, a falta de segurança e um elemento crucial na investida pela paz no futebol, e não só em tempos de Copa do Mundo. Esse ano a arrecadação foi algo estonteante, o total no Campeonato brasileiro gira em torno de R$ 95.770.022,35. Os cinco primeiros colocados do Campeonato brasileiro detêm os recordes de publico e arrecadação. São Paulo, Grêmio, Palmeiras, Cruzeiro e Flamengo, juntos, tiveram lucro liquido de 46.024.160 milhões, e tiveram o apoio de 2.514.481 milhões de torcedores. Dentro dos gramados, imperfeitos, cheios de buracos, o jogo em si desenvolveu-se ala o basquete americano, times retrancados, jogando em contra-ataque, sem criatividade no meio campo, falta de habilidade, futebol-força, são os novos tons do futebol pentacampeão do mundo, um futebol enlatado. Dificilmente se vê lances geniais, dribles, o que aparenta é que os jogadores são desencorajados a fazer tais jogadas. A prática costumeira da troca excessiva de técnicos não desapareceu da cultura gestora-administrativa, se vê nesse entorno que inexiste qualquer tipo de plano de trabalho para o técnico. A arbitragem foi um ponto a ser destacada nessa temporada, repleta de altos e baixos, e nunca antes tão questionada; muitos times prejudicados, outros favorecidos, por exemplo, o líder São Paulo, segundo o site Globo Esporte, favorecido 12 vezes pela arbitragem. Definitivamente, um problema insanável e que merece ser observado a “olho cru” pela CBF. Os votos que ficam para 2009 é o de voltarmos a ter o futebol singular que tínhamos, mas que foi se esvaindo ao longo dos anos. Esperar que as administrações melhorem é uma peleja preferível de não enfrentar por enquanto, não adianta nos enchermos de expectativa. Mas, enfim, devolvam o nosso futebol.

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Eu tenho um sonho

O povo americano já escolheu presidentes que se tornaram heróis nacionais e até internacionais, os nomes são inúmeros, desde George Washington, Thomas Jefferson, o grande Abraham Lincoln, Roosevelt, John Kennedy, Reagan, e por que não dizer, Bill Clinton. Políticos fascinantes que construíram o império americano sobre o mundo, mas em revés a isso, nem sempre o sufrágio decidiu pela opção mais positiva para os EUA. A unanimidade na escolha ingênua se vê em presidentes como os Bush’s, que só trouxeram ao país desastres militares e instabilidade econômica. Bem-aventuradas foram essas eleições de 2008, que deram um final merecidamente melancólico a uma política republicana antiquada, racista, ultraconservadora, idiossincrática absolutista, de incursões “anexadoras” fracassadas, e que vai sendo encerrada da pior maneira, um Estados Unidos com baixa credibilidade no cenário internacional, perdendo valores no conceito público, e com a economia à beira da bancarrota, um Estado débil. É um fim desgraçado e lastimoso para os cowboys do oeste.

Do lado vitorioso da moeda, a mudança, a renovação, mas, outrossim, o enigma; Obama herdará uma ruma de problemas, entre eles, índices de desemprego nunca vistos antes naquele país, o poder soberano das instituições financeiras em xeque, afetado por uma crise econômica nascida no coração economia mundial. Também, será uma questão a ser resolvida por Barack, as tropas americanas entranhadas em guerras por ai a fora. Porém, o que parece mais incomodar o eleitor americano é a ameaça de perca do status de: “país da independência”, bordão que já exauriu esse preceito há alguns séculos. Semelhante a uma produção dramática do cinema americano, a “salvação” vem de maneira contraditória, do lugar que ninguém esperava, ela vem do menor estado, vem do Havaí, uma minúscula ilha do Pacífico, para livrar da ruína os gigantes de Manhattan e companhia. Eleger um negro para a presidência representa um ‘sim’ para a democracia, também, denota a resposta positiva do soberano povo americano, que finalmente “caiu na real”, e pôde escolher no momento mais alarmante da sua história justificar a fama de povo independente; endireitou os seus caminhos, e optou pela mudança, substituiu aquilo que os vinha consumindo por aquilo que irá renová-los. As feridas do 11 de setembro já estão saradas, feridas que por vingança ou por medo, fizeram os americanos reelegerem G. Bush, mas o período das trevas é chegado ao fim. Metaforicamente, Obama simboliza o Sul escravista de joelhos pelo perdão ao negro escravizado, com já disse outro, Obama é preto, liberal, tem nome de muçulmano, Obama é tudo que a América nunca quis e que parece querer agora. O próprio Obama disse que consertar os erros de 8 anos de uma gestão catastrófica não será fácil e nem rápido, porém, com a força e grandeza do país e do povo americano, os Eua agarrarão com unhas e dentes o posto de nação número um. Será uma grande virada, gloriosa; voltarão a razão e a inteligência, que foram escorraçadas da América nos últimos anos.

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Anjos e diabos

“Tem um anjinho e um diabinho aqui. O diabinho está falando pra fazer. Vai em frente, não pára”. Essa frase, para alguns, demonstra a fragilidade e instabilidade do estado psicológico do autor do crime, Lindemberg. Porém, outros peritos concluem que há na verdade um afloramento de caráter, o que evidencia a frieza e prepotência nas ações do rapaz. A questão explanada diz respeito à ausência ou presença da sanidade mental-intelectual ao sujeito do crime no momento fatídico. Mas não será esse ponto abordado aqui. É óbvio a todos, que sempre quando ocorre um crime doloso e é randomicamente adotado pela televisão que converte o factóide em um mix de novela e BBB, criando heróis, vilões, mocinhas e bandidos, mas que diferentemente da trama cavalheiresca genuína, nem sempre termina com um final feliz. Costumeiramente, à medida que a noticia escorre ao domínio público como um vírus contagioso, vai se tornado uma espécie de “sucesso”, um “hit do momento”, do qual as pessoas tratam de uma peculiar maneira, discutindo como se todo dia fosse o último capítulo. Dentro desse contexto é que entra em cena o assunto de maior relevância, a pena de morte, a qual, boa soma de brasileiros trata de modo despretensioso, e, pedantemente, mas isso é outro tema, o fruto da nossa condição sócio-educacional lastimável. No Brasil, poucos sabem, mas a pena de morte foi abolida parcialmente, atualmente só pode ser aplicada em tempo de guerra. Uma pesquisa CNI/Ibope sobre a pena de morte foi divulgada a 29 de Setembro de 2008, indicando que 54% dos entrevistados manifestaram opinião contrária à pena de morte, a favor da pena responderam 43%.

 Apesar de a maioria desaprovar esse tipo de punição, grande parte persiste em defender a pena capital, pois, muitos afirmam estar a favor como uma forma de mostrar seu descontentamento, ou sendo levados pela emoção da situação e até mesmo soltando uma bravata de momento, mas a avassaladora maioria é por pura falta de discernimento. As pessoas favoráveis, ao expressar sua opinião, muitas vezes são tidas com antiéticas; instituições de preservação da vida, como os direitos humanos, parecem ter mais afinidade com as câmeras em Santo Andre do que com o genocídio em Darfur, ou então com a guerra civil no Tibete, mas não adentraremos em tais questões.  

Na composição do mundo moderno, repleto de tabus morais e éticos, rígidos quase impenetráveis, os costumes de punir com a morte ficam restritos a países da África, Ásia e Oriente Médio e alguns desvios padrão como os Estados Unidos, lugar onde essa forma de repressão da violência funciona de maneira eficaz. O aço estrutural do pensamento conservador pode ser atribuído a igreja, cumpridora do seu papel, defende a cultura da vida, vendo a predisposição ao bem que há no homem, em contraste com a tendência atual do cultivo da morte. Em revés, paradoxalmente, em meio à banalização da criminalidade, diante de um exercício ineficaz da autoridade e de um poder corrupto por todo país, o senso comum e o juízo de valor das pessoas tendem a lastimar, a se queixar, num clamor em busca de uma mudança radical.

domingo, 17 de agosto de 2008

Um país sem olimpíadas

Em visita à China, Lula declarou que espera o Brasil vencer o direito de sediar os jogos olímpicos de 2016. Trazer as olimpíadas para o Brasil seria uma forma de democratizar os jogos, e com esse discurso bem socialista recalcado, cingido de um dissimulado complexo de inferioridade que chega a ser mendicante, ainda afirmou que os "pobres" da América do Sul teriam a chance de assistir uma olimpíada. Os 40 bilhões que a China injetou nos jogos parece não intimidar o presidente, mas isso não surpreende, já que um governo que arrecada abundantemente, gasta muito para alavancar o PIB, e mal para "custear" a máquina pública, tem agora um pressuposto legítimo para manter essa situação de esterilidade que o Estado vive.
Diante dos enlaces econômicos, sociais, democráticos, e tonicamente políticos que vigoram no país, angariar um evento dessa magnitude só é concebível havendo uma reestruturação ou uma restauração de boa parte da infra-estrutura, com investimentos também nas áreas de atenção social, que poderia converter e conduzir ao melhoramento de algo ainda mais importante, a supra-estrutura. Se segundo teóricos das ciências sociais, simploriamente podemos conjecturar que supra-estrutura é todo o conhecimento que o homem pensa e cria, então, claro que isso gera o velho dilema social: investir em infra-estrutura para se ter ganho na supra-estrutura, ou o contrário?

Como disse Lula, a terra onde não há terrorismo; pelo menos não o terrorismo extremista-xenófobo, mas outras espécies de terror que muitas vezes são bem mais cruéis e desumanos. Diferente da China, aqui não temos toda aquela poluição, no Brasil os poluentes se concentram em Brasília, esses sim nocivos à saúde, à educação, ao meio ambiente, etc.. Guerra entre etnias é um problema que não temos por essas bandas; na pátria amada reina a discriminação mascarada, negros, índios, nordestinos e homossexuais têm um tratamento diferenciado na nossa sociedade.
Observando o perfil sócio-econômico e cultural do Brasil por um escopo mais otimista e nacionalista, nosso país tem grande diversidade biológica, uma vasta pluralidade cultural histórica, também ganha ênfase o Brasil como pólo turístico, muitas riquezas naturais, enfim, toda a beleza exótica de um país tropical que se destaca entre os demais.
Tudo muito bonito, mas o que se tem de verificar é quem sairá vitorioso dessa empreitada; primeiramente o que o advento de uma olimpíada no Brasil vai trazer de concreto, por exemplo, para um estado como o Acre, Roraima ou a Paraíba; o mais provável que ocorra é uma concentração ainda maior de riqueza no centro-sul do país. Outro fator seria a figura do atravessador político que teria o caminho aberto para obtenção de benefícios com o "festival" de licitações; claro, poderia ser esse também o momento propício para um clamor civil por transparência, mas em se tratando de Brasil onde tudo é feito na surdina, fica a interrogação. A maravilha de uma primeira olimpíada na América do Sul, no Brasil, não pode encobrir o fato de que se não gerida com responsabilidade e igualdade traria mais desigualdades e injustiças sociais.

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

Olimpíadas: o reflexo da economia mundial

As olimpíadas, maior evento esportivo histórico mundial, começará dia 8 em Pequim repleta de polêmicas, dentre as tais, as grandes células de poluição que afetam e incomodam a respiração dos atletas e a situação político-social no Tibete, ameaças de boicote, que com certeza serão tema de protestos durante os jogos, tirando à parte os desastres naturais que vêm ocorrendo no país. Os jogos desse ano também pode marcar o fim da soberania do Estados Unidos no quadro de medalhas, já que em Atenas os chineses ficaram apenas a três ouros dos americanos, e agora, depois de quatro anos de investimentos astronômicos em "massa desportiva" vêm com todo poderio para arrebatar o 1º lugar dos EUA. Se isso realmente vier a acontecer, somente consolidará uma tendência que segue em vários ramos estruturais da sociedade, um deles a economia; com o mercado internacional hospedando um membro de peso relevante, que vem se apossando de fatias de capital mundial que antes só os americanos saboreavam. O comércio chinês vem invadindo os países, inclusive os EUA, de forma substancial, intensa e sem trégua com os produtos pirateados, de baixa qualidade, sem respeitar patentes, praticando uma concorrência desleal e arbitrária sob o olhar de uma OMC (organização mundial do comércio) até certo ponto inerte.

Observando e analisando o quadro de medalhas das olimpíadas de Atenas, vemos que entre os 10 primeiros colocados no ranking todos são nações de 1º mundo, sete membros do denominado G8 também estão nessa tabela. Essas posições não deverão ser muito alteradas nos jogos de Pequim, pois, países emergentes esportiva e economicamente não deverão figurar nos primeiros postos, e o prognóstico para Londres 2012 parece não ser diferente. Enquanto isso, a Rodada de Doha trilha seu caminho de insucessos, sem o fim dos subsídios agrícolas dos países ricos, ferindo "legalmente" os princípios de concorrência livre e leal da OMC. Lula, o principal interpelador da causa "Doha", diz que mesmo com os fracassos do acordo, continuará na luta pela maior competitividade das nações pobres no comércio exterior. Como nas olimpíadas o cenário se repete no mercado econômico, os "ricos" lideram e dominam as competições, e ainda dão as fichas do jogo, cabendo aos emergentes ajustá-las de maneira que haja as menores percas possíveis. Simplistamente falando, poderíamos propor que a colocação de um país no quadro de medalhas dos jogos e diretamente proporcional ao poder e eficácia que seu sistema econômico exerce e o quanto isso e empreendido no esporte-educação, claro, com algumas exceções que fogem desse pressuposto.

Traçar esse paralelo entre esporte e economia nos faz atentar para a ligação intrínseca que há entre essas duas grandezas; um país forte financeiramente que invista em esporte-educação terá êxito em suas conquistas desportivas que também trará retorno para a sua conduta sócio-econômica. Ao passo que, os Estados Unidos se perdem na "guerra", esbanjam bilhões nos gastos públicos, tentam se esquivar da crise imobiliária, a China faz sua parte, embora que se utilizando de meios duvidosos, cresce em um ritmo eufórico de mais de 10% ao ano, criando um verdadeiro "dragão oriental" a ponto de tragar a Águia Calva do ocidente.

sexta-feira, 25 de julho de 2008

Liberdade de expressão comercial: analysis



Depois de 30 anos, realizou-se, em São Paulo, o IV Congresso Brasileiro de Publicidade, reunindo cerca de 1.500 profissionais da mídia, das agências de publicidade e de prestadores de serviços de marketing. No texto de encerração proclamado no fim do evento, uma frase ganhou grande ênfase e destaque, causando uma discussão de importância sobrejacente ao tema "liberdade de expressão" no círculo mercadológico; foi a seguinte frase: "Repúdio a todas as iniciativas de censura à liberdade de expressão comercial, inclusive as bem intencionadas". A inserção da palavra "comercial" junto à "liberdade de expressão" distorce a semântica primitiva dessa expressão, que nesse caso torna-se uma prerrogativa em favor da intransigente auto-regulamentação da lei da publicidade brasileira e do entrave que há na constituição, que vela pelo combate e vigilância perpétua à propaganda comercial de tabaco, bebidas alcoólicas, agrotóxicos, medicamentos de uso restrito. É verdade que os anúncios publicitários ajudam a movimentar cerca de 57 bilhões ao ano no Brasil, mas que sob o manto ideológico do "não à censura" e da "livre iniciativa é a base da democracia", almeja quebrar esse obstáculo constitucional e conquistar esses ramos do mercado que são enforcados pela legislação.

Os argumentos da indústria publicitária, que por interesses, toma parte em favor do direito da livre expressão, como sendo os templários da liberdade de imprensa, pode ser legalmente questionados, logo que não é um direito absoluto, isso porque quando está em jogo outros tipos de direitos universais como o direito à vida, à saúde, à segurança, à dignidade humana, esses se sobrepõem potencialmente; propagandas que estimulam o consumo de cigarro, bebida e outros malefícios, sempre expõem o consumidor à riscos latentes de vida, saúde, segurança, etc.. Buscando outro viés; o que não pode ocorrer, e está ocorrendo, é a tutelação do consumidor, o Estado interferindo implicitamente, e retirando das pessoas do poder de decisão, acabando com a consciência e juízo de valor que a sociedade (massa consumidora) é capaz de formar, e, portanto tirando-as a capacidade de fazer escolhas, fazendo disso um preconceito, quase que dizendo que o povo não sabe escolher.
Mas, as tentativas da classe publicitária de transpor e exacerbar os limites das normas regulatórias podem ir por água abaixo, quando esbarrar em um novo cenário sócio-econômico-educacional brasileiro, que já começa a consolidar um perfil de consumidor mais exigente e mais bem informado, essa nova legião, que está a par das próprias necessidades e se preocupa com a saúde tende a se expandir cada vez mais, desfazendo até mesmo fronteiras regionais de preconceito. Fica claro, que quem deve definir até onde a publicidade pode agir, e o quanto ela poderá afetar a vida pública, é a própria sociedade civil de forma ativa e efetivamente dentro dos valores democráticos; aos publicitários e anunciantes cabe apenas fazer o seu papel seguindo uma ética e moral que os compete.

terça-feira, 15 de julho de 2008

A favorita

O processo de renovação e introdução da tecnologia digital (HD) irá trazer mudanças interessantes com relação ao modo tradicional de assistir TV, a interatividade será bem mais efetiva, a qualidade da imagem muito superior à atual, a implantação ainda está em gênese e só atinge alguns estados do Sudeste; mas antes que essa empreitada se estenda e se consolide a todo o nosso território, é atraente e curioso observar o panorama da mídia televisiva brasileira, entre os principais canais sempre houve aquela dose saudável de rivalidade e corporativismo comum em quaisquer empresas que competem e concorrem no mesmo ramo, porém de tempos pra cá a disputa tornou-se cada vez mais acirrada; Globo e Record estão no front do embate. Com a supremacia e o rótulo de emissora número um do Brasil ameaçados, a Rede Globo persiste na mesma linha de produção artística, não inova, e está perdendo fatias de Ibope e de lucros para a próspera, porém instável, Record, a qual investe pesadamente em um atrativo peculiar da cultura televisiva do brasileiro, a telenovela. As novelas da Record chamam a atenção pela quantidade de atores "ex-globais" e também uma maioria que estava no ostracismo, esquecidos pela rival carioca; outra marca das produções da emissora paulista é a mescla do melodrama com ficção científica que é eficaz na audiência da massa, mas que é ínfima se comparada com as superproduções da concorrente. Diante disso, vários episódios tidos como espionagem foram delatados pela Globo, no último, há dias atrás, um funcionário foi surpreendido usando seu e-mail corporativo para divulgar informações sigilosas à Record; a Globo emitiu um comunicado alertando a Record que a iria incriminar legalmente, sob o pressuposto de concorrência desleal, a Record por sua vez respondeu citricamente, alegando que a notificação da Globo não foi nada mais que um "recibo oficial" sobre a sua preocupação com o crescimento da Record. É certo que a emissora da Igreja Universal vem crescendo bastante, e às vezes obtém o primeiro lugar na audiência, mesmo que seja só por alguns minutos, mas é muito pouco provável alguma outra rede de TV, consiga a curto ou até médio prazo, abalar o 'imperialismo prepotente' do Projac sobre o Brasil. Assim, o slogan "A caminho da liderança" perde, aos poucos, o sabor de provocação megalomaníaca.
Correndo por fora dessa briga, o "ex" segundo lugar SBT, com uma grade de programação bastante confusa, incoerente (a meu ver), e instável, baseada em filmes 'obsoletos', reprises e no sacrificado "Chaves", que sempre tira uma 'lasquinha' de audiência; embora esse visível declínio e enfraquecimento já venha se arrastando há algum tempo, a emissora de Silvio Santos tem um público fiel muito extenso, isso por conta de alguns apresentadores consagrados, como o próprio Silvio Santos, Hebe e Gugu, nomes que salvam a desgastada imagem da emissora no cenário nacional. Mesmo com pouco incentivo à corrente jornalística, o SBT ainda é um dos maiorais da TV brasileira. Numa investida processual contra a Rede Globo, o canal do senor Abravanel recebeu a importância de R$ 17.888.306,99 referente ao não cumprimento do contrato celebrado entre o autor Walter Negrão, da Rede Globo. No mesmo ensejo e pelo mesmo motivo só que dessa vez com a autora Glória Perez, recolheu a bagatela de R$ 24.477.115,69, um verdadeiro 'show do milhão' que vai rechear os cofres da empresa.
Mesmo com a concorrência aumentando no retrovisor, mesmo com desfalques financeiros, espionagem, e tudo mais, a Rede Globo mantém o alto padrão, e detém o poderio manipulador sobre o país; mas até quando irá sustentar esse posto, essa é a pergunta que a Record, o SBT, a Band e os outros canais devem fazer diariamente se um dia quiserem está lá.

sábado, 5 de julho de 2008

O preconceito à homofobia em xeque



Em um momento mais do que oportuno o projeto de lei (PLC 122/06), que criminaliza a homofobia entrou na pauta de votação do câmara no senado, e em análise pela vida pública brasileira; o instante e propício, pois a discussão sobre homossexuais ocupar cargos públicos tornou-se efervescente depois que dois militares assumiram abertamente a sua afinidade homossexual, o que bateu defronte com todos os paradigmas, valores e doutrinas da rígida e monolítica formação militar; a atitude foi asperamente reprimida; com prisão, sob a acusação de deserção e de transgressão a normas militares; normas as quais não abordam em ponto algum a questão homossexual. Entre detenções e liberações, ambos decidiram dar baixa no serviço e foram dispensados das funções. Esse tipo de atitude, por parte do comando militar, mostra claramente o arcaísmo na gestão de certos segmentos e instituições que se dizem democráticas e republicanas, ainda se vê a discriminação e a falta de políticas públicas para com as minorias. Outra questão, é a do jogador de futebol do São Paulo, Richarlyson, esse, nunca admitiu publicamente seu direcionamento sexual, nem sequer fala sobre o assunto, mas volta e meia, em sites da internet surgem fotos e vídeos instigando e fazendo apologia de maneira "bem-humorada" ao preconceito. Sem falar dos torcedores de clubes adversários, que fazem coro para difamar o atleta. Em Jerusalém, a parada gay reuniu milhares de pessoas, que desfilaram pelas ruas do centro da cidade, sob o olhar e protesto da maioria, judeus ultra-ortodoxos, que se opõem, repudiam e abominam o evento e a identidade de gênero dos que o fazem; parece que esqueceram, ou então não querem lembrar do holocausto.


A religião, tema delicado, que merece uma apreciação mais íntima para conhecermos seus motivos, entra nesse debate pela absoluta predisposição contrária, de praticamente todas as igrejas, ao homossexualismo; esse posicionamento é transposto à sociedade pela pregação de maneira arrebatadora e unilateral, sem muitas ponderações. O projeto que criminaliza a homofobia, vem causando grande alarde, gerando polêmica e dividindo opiniões na sociedade brasileira; os evangélicos, cumprindo o seu "papel religioso" tentaram invadir o congresso, em protesto contra a aprovação do projeto, os cerca de mil fizeram uma manifestação em frente à sede do legislativo para evitar a votação do projeto, anseiam o "direito" de criticar o homossexualismo, sem punições legais. O projeto tem uma "boa aparência", mas traz uma prerrogativa de 'autonomia' aos homossexuais, que ganhariam vantagens exclusivas, que outras minorias (índios, negros, idosos) não se beneficiariam. Pelo projeto, se você não der emprego a um homossexual, você estará agindo de forma discriminatória e poderá ser preso. Se o demitir sem justa causa, também poderá ser preso. Se não alugar uma casa a um homossexual, idem. A medida é boa, mas o que falta mesmo é educar e conscientizar as pessoas para que não haja discriminação; além do mais, caso aprovada, a lei irá criar uma "casta diferenciada", o que é inconstitucional. Logo, a lei prevê que discriminar é crime, porque não precisa mais do que isso.

sábado, 31 de maio de 2008

À soberania da Amazônia

De lá o The New York Times indagou: de quem realmente é a Amazônia? De cá Lula respondeu: do povo brasileiro. Mas será que o presidente tem razão?
Em meio à troca de ministros do meio ambiente Marina Silva por Carlos Minc, o jornal americano levantou a questão, sobre quem de fato deveria ter o domínio da floresta amazônica, defendia também a internacionalização da mesma.
A operação Arco de Fogo, da Polícia Federal, iria coibir os desmatamentos ilegais, ou seja, os reais donos da mata: os madeireiros, barões da soja e criadores de gado, já que o IBAMA sozinho não tem pessoal e força jurídica pujante para conter estes que são a principal causa da destruição ambiental na região; mas a operação foi sutilmente reprimida em alguns estados, onde governadores cúmplices da desordem, interviram e pressionaram politicamente.
O novo ministro, Carlos Minc, liberal progressista, não pelo partido, mas sim por suas ações, parece que vai superar a estagnação da política ambiental usando a tática do "um morde o outro assopra"; o ministro disse que vai "agilizar" as concessões ambientais, em troca, já anunciou a liberação de 1 bilhão para recuperar áreas degradadas da floresta. O discurso do (PAS) Plano Amazônia sustentável, que busca um crescimento equilibrado na região, está sendo confundido com o (PAC) que visa o progresso infra-estrutural sem grandes preocupações ambientais.
Os índios também fazem parte do bioma Amazônia, e estão sujeitos ao descaso e esquecimento político-social, o que os torna alvo fácil para ação de interesses econômicos, a reserva indígena Raposa Serra do Sol é um exemplo, desse tipo de prática. Segundo políticos nortistas, ONGs que atuam na Amazônia sob o manto da defesa ambiental, defendem interesses estrangeiros nas riquezas minerais do lugar. Infiltradas nas comunidades, essas organizações financiam entidades em Roraima que defendem as reservas indígenas contínuas na Amazônia para não permitir o maior controle brasileiro sobre essas áreas. A operação Upatakon 3, da PF, visava retirar toda a população não-indígena de dentro da reserva, mas foi suprimida por ação do governo de Roraíma. Somado a isso as declarações do general Augusto Heleno, de que a política indigenista é caótica e ameaça a soberania do país, não foram bem recebidas pelo governo Lula, que o repreendeu e reprovou sua atitude. Voltemos à pergunta do início; Lula pode até ter razão em dizer que a Amazônia é dos brasileiros; mas, de que brasileiros, o presidente é um desses brasileiros, então por que ele não age pessoal e afetivamente em defesa desse patrimônio que antes de ser um objeto de disputa, e uma área de uma imensa biodiversidade e com grande importância científica, biológica, ecológica, climática e geográfica para todo o planeta.
"A Amazônia não pertence somente aos brasileiros, e sim ao mundo" Al Gore- Ex-presidente americano e vencedor do prêmio Nobel da Paz.

segunda-feira, 26 de maio de 2008

Acordo ortográfico: contraponto

O acordo que uniformiza a ortografia dos oito países de língua portuguesa(Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste) nem entrou em vigor ainda, mas desde já causa polêmica em algumas frentes da sociedade, tanto brasileira como portucalense; as outras nações de menor expressão envolvidas, não entram ativamente no mérito da questão, primeiramente porque seria inútil, eles não têm peso político, segundo, porque diferente dos seus primos lusófonos "ricos", há coisas mais ponderáveis a tratar. As resistências maiores são em Portugal, pois o tratado modifica 1,6% do seu vocabulário, e apenas 0,45% do brasileiro; eles reclamam que haverá uma "abrasileiramento" da língua, até mesmo porque palavras com consoantes mudas (ex.: projecto, óptimo) que são comuns e estão na raiz histórica do país, irão desaparecer.
No Brasil, a TV Globo apresentou uma reportagem no jornal nacional sobre esse assunto, só que transmitindo a informação a partir de uma visão maniqueísta e positivista, típica e 'natural' dessa emissora. Mostrou-se somente os poucos pontos positivos do tratado, deixando de fora do saber público "menos instruído", várias questões. Por exemplo, os custos social e financeiro, os gastos com a mudança, milhões de livros obsoletos irão para o lixo ou serão queimados, uma fortuna será gasta para repor o acervo de bibliotecas, escolas e outros.

Outro fator, e esse um fator político-capitalista, é que as grandes editoras de Portugal e principalmente do Brasil, já visam esse mercado africano, não que esses países tenham um grande contingente de leitores, mas governos costumem comprar muitos livros didáticos, um exemplo crasso desse tipo de prática é o nosso país, embora a compra seja interna e o livro não chegue sempre nas mãos do seu destinatário. O interessante é que já havia uma concordância ortográfica entre Portugal os países africanos de língua portuguesa e o Timor Leste, esse acordo só era quebrado pelo Brasil; talvez fosse esse o momento de consolidar um idioma próprio e único, como símbolo e patrimônio do nosso país, tal qual Policarpo Quaresma. Ainda sobre as desvantagens do acordo filólogos e gramáticos divergem sobre a real importância da unificação; uns dizem que é imperfeita e parcial, outros falam que há um necessidade de difusão internacional do Português, para isso é indispensável a padronização.
A verdade é que essa reforma trará mais contras do que prós; com a supressão do trema (¨), palavras como eqüino (cavalo) e equino(ouriço-do-mar), ficaram sem distinção, o acento diferencial também sumirá, vocábulos como pára (verbo) e para(preposição), ficarão isográficas, dificultando a interpretação, embaraçando a compreensão. Sai perdendo o usuário da língua e o leitor da grafia.
Imbróglios lingüísticos ou linguísticos a parte, o fato é que a língua é o principal instrumento da comunicação humana, constrói suas relações, sendo o elemento mor daquilo que é tido como nação.
"A língua é aquilo que abre nossa mente, é aquilo que nos possibilita compreender o mundo, portanto a língua é aquilo que nos faz mais humanos" José Luiz Fiorin-professor de Lingüística da USP.

segunda-feira, 19 de maio de 2008

Terra em transe: teoria do caos, e o homem por trás da destruição

Os desastres "naturais" atingem difusamente o mundo(alguns lugares são mais propícios, é certo), muitas vezes sem prévio aviso, diminuindo a possibilidade de evitação de vítimas; historicamente esses eventos são relativamente raros e se dão de maneira avulsa, de tempos em tempos, mas, do começo do século passado para os dias atuais, fenômenos assim estão se tornando algo corriqueiro, afentando com mais voracidade e frequência, de modo bem mais homogêneo, regiões da Terra que antes não eram atingidas. O ciclone Nargis se formou no Oceano Índico, resultado do choque entre ventos frios e o vapor que surge do mar aquecido, em seis dias, chegou enfurecido ao continente asiático, foram ventos de mais de 200 km/h; pelos números oficiais, já são 78 mil mortos, 2,5 milhões de desabrigados. O pior disso tudo, foi ver o governo militar de Mianmar não aceitar a ajuda internacional sob o falsificado e nada ético discurso de: perder a soberania e a independência, e sofrer influência da cultura ocidental. Uma lástima.
A China não é um país assim tão acostumado a terremotos, o último que causou destruição tinha sido há 32 anos; mas o do dia 12 de maio desse ano, foi aterrador, mais de 72 mil mortos, lá o governo aceitou humildemente o auxílio externo. Terremoto não tem nada a ver com poluição e nem com degradação ambiental, e óbvio, e, sem querer defender e até transcender a hipótese de Gaia, mas, a China é o país que mais poluí e deteriora o meio ambiente em troca de desenvolvimento e riqueza imediatas, se os fins justificam os meios, a natureza reage para reequilibrar, e reagiu, mesmo que asperamente.
No Chile, o exemplo cabal, um vulcão adormecido a mais de 7 mil anos, o Chaitén cobriu extensas aréas da Argentina e do próprio Chile de cinzas, com direito a chuvas de cinza vulcânica em alguns locais. O céu e a terra se uniram por uma coluna de cinzas e monstruosas descargas elétricas, decorrentes da intensa atividade vulcânica.
A interferência efetiva e negativa do homem, alterando, dastricamente o ciclo natural das inter-relações entre as várias esferas terrestre em um sistema tão complexo como é a natureza, o torna a principal referência de causa para o visível desequilíbrio que há no planeta; a teoria do caos por exemplo, demonstra que o ser humano é o agente responsável por essa distorção da natureza como um todo.
“Temos que parar de poluir o quanto antes para não chegar a um ponto em que não existirá retorno" Norman Miller-pesquisador universidade Berkeley