sábado, 9 de maio de 2009

Ácido Desoxirribonucléico

O amoroso presidente paraguaio Fernando Lugo esteve no Brasil essa semana, veio reivindicar e discutir sobre um possível aumento no preço da tarifa paga pelo Brasil ao Paraguai na utilização de energia da usina de Itaipu e quer o fim da exclusividade de fornecimento ao Brasil. Itaipu foi construída em 1984, com dinheiro vindo, exclusivamente dos impostos pagos pelos cidadãos brasileiros. O Paraguai tem seu nome consignado no contrato binacional, pelo simples fato de que parte das águas do Rio Paraná, o qual gera a energia de Itaipu, vêm ou apenas percorrem uma parcela do território paraguaio. Todos os encargos e royalties, a manutenção, a gestão efetiva, e todo o conjunto de atividades que mantém a usina funcionando, é proveniente, ainda, do governo brasileiro, ou seja, dos contribuintes.
Por trás desse inocente encontro de presidentes, pode-se evidenciar uma vontade desejosa de transferir os holofotes que estão sobre o ex-bispo Lugo e suas escapadelas libidinosas. Também, para fugir um pouco das cada vez maiores pressõas sociais que afligem o ego do agora apelidado Lugaucho, acusado de ter filhos quando ainda atuava como bispo, inclusive até já assumiu a paternidade de um menino. E a fila de pedidos de testes de DNA continua aumentando. Mas não é para menos, quem mandou usar o slogan: "Lugo, o pai de todos os paraguaios".
Agora, vir questionar e tentar mudar sem nenhum argumento claro nem fundamento, um acordo fechado a várias décadas, em uma atitude descaradamente politiqueira, é visivelmente uma estupidez, que só faz crescer a acidez nas relacões entre brasileiros e guaranis. Isso apenas servirá para arranhar ainda mais, além de sua imagem como gestor publico, político, assim como a sua corroída imagem pessoal, manchada por um exame de DNA.
Menos mau que Lula, no entanto, também não cedeu aos alucinados apelos desse bacana. Ponto pra ti Lula.

domingo, 26 de abril de 2009

Democracy airlines


Nem causou espanto. Perplexidade? Tampouco. A farra das passagens aéreas dos deputados e senadores foi somente mais uma maracutaia, falcatrua, traficância dentre inúmeras que nos adaptamos a observar passivamente. Antes, pelo menos havia gestos indignados diante à corrupção deslavada, nesse passado pouco recente, sempre algum membro honrado do nosso parlamento, mesmo que só para ganhar evidência na mídia, levantava a bandeira da ética e da moralização democrática, mas hoje a democracia é confundida com permissividade. Dessa vez o cinismo extravasou todos os limites aceitáveis da mundialmente conhecida má-conduta do político-mafioso-brasileiro. Agora, vimos cair a auréola virginal de alguns políticos tidos como politicamente éticos. Até mesmo Fernando Gabeira assumiu que sujou sua imagem. A vergonha está se dissolvendo, pela certeza da impunidade futura.

E o pior, isso ocorre no nível máximo e no mínimo; vem lá do ninho, quantas vezes já não foi mostrado vereadores fazendo turismo com o erário público. Em 2008, foram gastos 78 milhões com passagens aéreas somente pela câmara; junto a isso 1881 bilhetes internacionais, a exemplo do deputado Dagoberto (PDT-MS) campeão em voos para o exterior, ao certo na sua jornada de política externa, deve está tentando conquistar o mundo. Por outro lado, a maioria dos parlamentares questionaram a proibição de repassar bilhetes para parentes; agora o momento diversão, o deputado Silvio Costa (PMN-PE) afirmou que as novas normas poderiam provocar o fim do seu casamento, soltando a seguinte pérola: “Assim vocês querem que eu me separe”. Fato interessante e relevante: os representantes do Distrito Federal no Senado e na Câmara recebem uma cota de 3,7 mil reais para gastos com passagens aéreas, embora eles não precisem realizar viagens para comparecer ao congresso, na nova regra que está tramitando isso não será modificado, não pergunte o porquê. As novas regras, que ainda não estão em vigor, ditam que somente os deputados poderão receber passagens aéreas e somente para vôos nacionais. Os gastos serão publicados na internet. O texto da Câmara, com as tais novas regras deveria entrar em vigor imediatamente, mas, devido ao protesto e “cara feia” dos deputados, o benevolente presidente da Casa, Michel Temer (PMDB-SP), decidiu levar o tema para votação em plenário, com isso o projeto poderá receber as emendas, ou se preferir, brechas. Lembrete: o próprio Temer assinou o ato 42 da mesa diretora no ano 2000, na sua primeira gestão, que instituiu a cota de passagens e abriu caminho para o uso do beneficio por terceiros.

E a Democracia vai pelos ares.