Em visita à China, Lula declarou que espera o Brasil vencer o direito de sediar os jogos olímpicos de 2016. Trazer as olimpíadas para o Brasil seria uma forma de democratizar os jogos, e com esse discurso bem socialista recalcado, cingido de um dissimulado complexo de inferioridade que chega a ser mendicante, ainda afirmou que os "pobres" da América do Sul teriam a chance de assistir uma olimpíada. Os 40 bilhões que a China injetou nos jogos parece não intimidar o presidente, mas isso não surpreende, já que um governo que arrecada abundantemente, gasta muito para alavancar o PIB, e mal para "custear" a máquina pública, tem agora um pressuposto legítimo para manter essa situação de esterilidade que o Estado vive.Diante dos enlaces econômicos, sociais, democráticos, e tonicamente políticos que vigoram no país, angariar um evento dessa magnitude só é concebível havendo uma reestruturação ou uma restauração de boa parte da infra-estrutura, com investimentos também nas áreas de atenção social, que poderia converter e conduzir ao melhoramento de algo ainda mais importante, a supra-estrutura. Se segundo teóricos das ciências sociais, simploriamente podemos conjecturar que supra-estrutura é todo o conhecimento que o homem pensa e cria, então, claro que isso gera o velho dilema social: investir em infra-estrutura para se ter ganho na supra-estrutura, ou o contrário?
Como disse Lula, a terra onde não há terrorismo; pelo menos não o terrorismo extremista-xenófobo, mas outras espécies de terror que muitas vezes são bem mais cruéis e desumanos. Diferente da China, aqui não temos toda aquela poluição, no Brasil os poluentes se concentram em Brasília, esses sim nocivos à saúde, à educação, ao meio ambiente, etc.. Guerra entre etnias é um problema que não temos por essas bandas; na pátria amada reina a discriminação mascarada, negros, índios, nordestinos e homossexuais têm um tratamento diferenciado na nossa sociedade.Observando o perfil sócio-econômico e cultural do Brasil por um escopo mais otimista e nacionalista, nosso país tem grande diversidade biológica, uma vasta pluralidade cultural histórica, também ganha ênfase o Brasil como pólo turístico, muitas riquezas naturais, enfim, toda a beleza exótica de um país tropical que se destaca entre os demais.
Tudo muito bonito, mas o que se tem de verificar é quem sairá vitorioso dessa empreitada; primeiramente o que o advento de uma olimpíada no Brasil vai trazer de concreto, por exemplo, para um estado como o Acre, Roraima ou a Paraíba; o mais provável que ocorra é uma concentração ainda maior de riqueza no centro-sul do país. Outro fator seria a figura do atravessador político que teria o caminho aberto para obtenção de benefícios com o "festival" de licitações; claro, poderia ser esse também o momento propício para um clamor civil por transparência, mas em se tratando de Brasil onde tudo é feito na surdina, fica a interrogação. A maravilha de uma primeira olimpíada na América do Sul, no Brasil, não pode encobrir o fato de que se não gerida com responsabilidade e igualdade traria mais desigualdades e injustiças sociais.

Observando e analisando o quadro de medalhas das olimpíadas de Atenas, vemos que entre os 10 primeiros colocados no ranking todos são nações de 1º mundo, sete membros do denominado G8 também estão nessa tabela. Essas posições não deverão ser muito alteradas nos jogos de Pequim, pois, países emergentes esportiva e economicamente não deverão figurar nos primeiros postos, e o prognóstico para Londres 2012 parece não ser diferente. Enquanto isso, a Rodada de Doha trilha seu caminho de insucessos, sem o fim dos subsídios agrícolas dos países ricos, ferindo "legalmente" os princípios de concorrência livre e leal da OMC. Lula, o principal interpelador da causa "Doha", diz que mesmo com os fracassos do acordo, continuará na luta pela maior competitividade das nações pobres no comércio exterior. Como nas olimpíadas o cenário se repete no mercado econômico, os "ricos" lideram e dominam as competições, e ainda dão as fichas do jogo, cabendo aos emergentes ajustá-las de maneira que haja as menores percas possíveis. Simplistamente falando, poderíamos propor que a colocação de um país no quadro de medalhas dos jogos e diretamente proporcional ao poder e eficácia que seu sistema econômico exerce e o quanto isso e empreendido no esporte-educação, claro, com algumas exceções que fogem desse pressuposto.