domingo, 6 de setembro de 2009

Twitter, Orkut e nada mais


As redes sociais web Orkut e Twitter atualmente têm aglomerado uma parte considerável dos internautas brasileiros. Principalmente o Orkut cujos dados impressionam. De acordo com inforamações divulgadas pelo Ibope, o Brasil tem 25,5 milhões de usuários residenciais. Do total, cerca de 17,85 milhões utilizam a rede do Google. Ou seja, o Orkut alcança, mensalmente, 70% dos internautas. O Twitter é um fenômeno, este cresceu 1382% de um ano, mas no Brasil os números referentes ao acesso ainda não atinge o patamar orkutiano, se levarmos em conta os três primeiros meses de 2009, o número de visitantes ao Twitter foi de 979 mil. A cifra, porém, não significa que o serviço de microblog tenha quase um milhão de usuários ativos no Brasil.

As diferenças entre Orkut e Twitter não pairam apenas nos dados sobre acesso, as características dessas redes de comunicação, vão além disso; do ponto de vista da segurança, o twitter é mais vulnerável ao ataque de crackers e hackers, pois os links que trafegam no microblog geralmente são criptografados, e também existem muitos perfis falsos, que quando clicados infectam o perfil do usuário com uma enxurrada de spams. O Orkut até pouco tempo era constantemente alvo de ataques, entretanto o grupo Google dispôs de um pacote de ferramentas dentro do próprio site Orkut, para a proteção do usuário e de sua privacidade. Outro fator é com relação à impessoalidade, neste caso em haver uma conexão de pessoas, que na realidade é apenas uma suposição, uma mera presunção de que aquele outro individuo virtual tenha uma interação social. No Orkut, por exemplo, os “Amigos” podem interagir livremente, como se fosse um “corpo-a-corpo”, diferentemente, no twitter onde as personalidades chamadas de “seguidores” dão uma falsa impressão de interatividade, quando apenas enfatiza o emissor da mensagem, eliminando o debate e a troca de idéias.

Vale dizer que o Twitter funciona no campo da comunicação declaratória. Não existe construção de idéias, preza-se o dinamismo, o “mini-resumo”. Muitos utilizam como um Big Brother Virtual, irritantemente, escrevem no seu tweet qualquer ação, qualquer coisa que estejam fazendo naquele momento, isso ocorre, talvez, devido ao serviço de portabilidade que o twitter dispõe. Assim, o usuário do twitter tem poder de mostrar aos seus “followers”, a própria vida em tempo real, ao vivo e sem cortes, se assim desejar. É a nata mais aparente do modelo de comunicação veloz da juventude.

O Orkut por sua vez, vem decaindo drasticamente, o excesso de publicidade que invadiu e se alastrou pelas páginas e scrapbooks acabaram por afastar muitos usuários, alem disso o grande numero de perfis falsos (fakes) e a difusão indiscriminada de conteúdo pedófilo, contribuíram, também para frustrar a experiência de utilização do serviço por pessoas que se consideram desconfiadas com o destino e privacidade de suas fotos e informações pessoas. Já que recentemente o Ministério Público e a Policia Federal quebraram o sigilo de diversos perfis, em busca de informações sobre crimes virtuais, mais precisamente imagens de contexto pedófilo.

O twitter é designado como tendo um público mais esclarecido e formador de opinião do que utilizadores do Orkut, diz-se por isso que não se popularizou vastamente no país. Para sustentar essa insubstancial hipótese, os seus precursores afirmam que o twitter não é compatível com o internauta médio brasileiro.

Um traço muito interessante no Twitter é porque tornou um ponto de encontro entre famosos e fãs, não que isso denote uma literal interatividade, mas pelo menos ocorre um contato, unilateral é claro, e a mensagem quase sempre é multidirecional, embora esta mensagem encontre uma audiência efetivamente grande. O mesmo não acontece via Orkut, pois lá é campo aberto de batalha e debate. Ali, os famosos e poderosos têm medo de se expor. Equivale a se apresentarem no meio da multidão, em praça pública.

No Twitter a interação: famoso X famoso, é constante, os desentendimentos não. Mas desde a apoteose da presença de pseudo-famosidades e personalidades da nossa vida não-virtual no site, o bulício ganhou destaque nos programas e sites de fofoca, assim como nos fóruns da web em geral. Tivemos e vimos várias desavenças, o mais recente foi a crise sobre a “sena” que a filha de Xuxa, a Sasha, escreveu no tweet da mamãe, o erro ortográfico causou um frisson, da mesma forma que o retruco que Xuxa deu nos internautas que criticaram a filhinha querida. Antes dessa, Rubinho Barrichello e o Repórter Vesgo protagonizaram um causo por causa da famosa “mola” do carro do piloto. A política também está inclusa no pacote de micos do twitter; o Senador Aloísio Mercadante que publicou na sua página no site que sairia da liderança do PT, teve de colocar a cara e voltar atrás da decisão no mesmo twitter, o que constrangeu não somente ele, mas seus aliados “twiteiros”, e ainda por cima, o mesmo foi esculachado pelos seus opositores políticos-internautas. Falando em opositores e oposição ao governo; a figura de Sarney foi a síntese do significado do twitter, pois a campanha #FORASARNEY (sic) foi entoada a partir do Twitter, e engendrada em sua base pelo perfil twiteiro: Juventude DEM, criou-se a partir daí um hit na internet, o fora Sarney deixou claro e evidente de como a estruturação das idéias são “formadas” nesse twitter. Ou seja, grande parte dos internautas usuários do site pediam em seus perfis e entoavam em seus tweets: #FORASARNEY, entretanto nos 140 caracteres ninguém explicava que o presidente do Senado está por aí há 45 anos, que a bronca tucana é oportunista, que Arthur Virgílio é um bandalho e que o movimento midiático faz parte de um projeto de desestabilização do governo Lula. Só.

domingo, 16 de agosto de 2009

Manipulação e manipulaçãozinha

“O bispo disse que certa vez Mateus (7:3) deve ter dito: Por que vês tu o argueiro no olho de teu irmão, porém não reparas na trave que está no teu próprio?”

Sobre a eterna rixa entre Globo e Record, que essa semana protagonizaram um combate deplorável, além de antiético, em pleno horário nobre da TV brasileira, comprovou-se, primeiramente, que o auge da disputa pelo mercado midiático nacional, e também pelas fatias das cotas publicitárias estão mais acessas do que nunca; claro, a Globo tem uma influência e um poder inigualáveis, mas a Record como concorrente imediata tenta pegar carona na onda da TV carioca. A troca simultânea de acusações nos Jornais: Nacional e da Record, gerou uma celeuma digna de final de copa do mundo que o juiz não marcou aquele pênalti claro. A questão foi erroneamente desviada para o campo religioso, colocando em confronto a fé de católicos e evangélicos além dos limites religiosos, neste caso nenhuma das emissoras teve prudência. Mas não cabe discutir esse tema aqui.

Um fator que não foi posto em xeque no ataque da Record à Emissora dos ‘Marinho’, foi que ninguém pode afirmar que a Globo esteja patroneando a reinvestida do ministério público, embora essa opinião tenha ficado implícita, nas entrelinhas. A rede Global aproveitou a deixa do MP, para explorar e escancarar de vez os podres da Record, entretanto de forma explicita, mas sem perder o sentido de legítimo jornalismo investigativo, contudo deixando transparecer o que ela ‘pensa’ sobre a rival. Contrariamente o jornal da Record e sua editoria, obviamente representando a figura de Edir Macedo se puseram a defendê-lo argumentativamente, e sim a atacar a globo de maneira fortuita, um grande erro, fraqueza, pois perderam a razão no momento em que ao invés de se defender dignamente, cederam à pressão e ímpeto da investida contrária, e caíram no alçapão no piti, entraram na defensiva, deixando clarividente que não detinham uma resposta coerente frente às denúncias. A rede Globo por sua vez soube com maestria, maquiar seus ataques à outra com uma classe “cesartraliana”, citando o nome “Record” oportunamente. Na Rede Record o tratamento foi outro, prevaleceu o sensacionalismo e o descaramento agredindo diretamente, valeu-se das repetitivas matérias-circulares (exibida em praticamente todos os programas), que mostrou tudo aquilo que somente poucos sabem sobre o passado vil e sombrio da grandona, fatos sobre a amigável relação da família Marinho com a ditadura, Timelife, Proconsult, e a impagável expressão bovina de Cid Moreira discursando o direito de resposta dado à Brizola. O mais banal foi a Record usar a popularidade de Lula para agredir a “grobo”, incitando sua posição contrária ao presidente como forma desmerecimento. Na mesma matéria glorificava a Record, mostrando o lado benevolente da igreja Universal, exibiam toda a grandiosidade toda megalomania, o sonho abstrato da liderança (im)possível, entretanto, focava também na ações sociais exercidas pela igreja (e é para isso que ela foi criada, e isenta de impostos), indiscutíveis, mas que não eliminam a real acusação de desvio de fundos. Outro ponto de destaque observado foi que a TV Globo ofereceu o legitimo direito de resposta ao advogado do grupo acusado, a Record apenas despejou todos os escândalos que envolveram a vida pregressa da ainda hoje nefasta, Globo.

A postura mais incoerente se revela e na afirmação importante e relevante, que a Record se refere ao dizimo como “doação espontânea”, mas ao mesmo tempo critica a Globo por manipulação; as pessoas assistem as besteiras da Globo espontaneamente também, ou seja, existe manipulação da informação pela Globo, logo existe manipulação da fé dos fiéis pela Record. Manipulação essa que, teoricamente, se reflete nos 1,4 bi de faturamento anual da IURD. Sobre o monopólio da informação que a Record acusa a Globo é um delírio, um delírio antigo, hoje esse argumento não se justifica, até mesmo porque a própria Record e a Band se estabeleceram como forte contraponto à qualidade jornalística da Globo, e o que falar da internet onde não há controle da informação, reitero, a tese do monopólio já não é.

Este disparate entre as duas será benéfico para os telespectadores e brasileiros em geral, pois estamos vendo as duas emissoras se anularem na mesma vala, está aparecendo suas verdadeiras faces, a realidade oculta está emergindo nua e crua, dos dois lados. Ou dá ou desce. Amém