terça-feira, 7 de julho de 2009

Estado de putrefação

Quando há alguns meses atrás ouvi e vi que José Sarney, Michel Temer e Renan Calheiros membros da velha direita peemedebista, estariam de volta aos tronos principais das casas legislativas, percebi cognitivamente que dali, daquele triunvirato não sairia boas coisas, boas noticias; se olhássemos o passado e tão quanto o presente deles veríamos uma imensa nuvem negra, tudo prenunciava para não dar certo, os três pólos negativos eram de certa forma, incoerentes.  Nenhum trazia à memória lembranças agradáveis.

Hoje, somente vou pelejar somente sobre o inventor do congelamento de preços o tal pensa que da mesma forma que auxiliou o país a explodir numa inflação de quase 100 % ao mês, depois anexou o estado do Maranhão às suas fazendas, a oligarquia da família Sarney, como se não bastasse se estendeu até o Amapá e o elegeu, posteriormente, Senador, um absurdo. Agora para completar a ópera comprou o senado, criou centenas de cargos e diretorias e quer toda sua família bem empregada, sobrinhos e netos, afilhados, etc..

José Sarney é a caricatura mais fiel de um político brasileiro, aquele que tende a expandir seu domínio corruptivo para se perpetuar no poder de qualquer maneira, com certeza há um primoroso projeto de dominação através das várias rádios, TVs e repetidoras Mirante pertencentes ao clã comunicacional Sarney. Aliás, no Maranhão o Estado inexiste, lá o organismo político administrativo é o “Sarney”.

Essa semana, ficamos sabendo que um congressista brasileiro é 6,5 vezes mais caro do que um britânico, na mesma semana do lançamento do portal da transparência do senado em plena contradição aos atos secretos realizados pelos senadores da nação. Na verdade, já passou e muito da hora de exorcizar esses fantasmas embusteiros da política do país, o que falta é ação social. Ao contrario do que disse Dilma Roussef que Sarney estaria sendo "demonizado" e responsabilizado "de forma desproporcional" por todas as irregularidades verificadas nos últimos anos. Não é bem assim, fala-se muito em crise institucional no senado, mas crise? Que crise? Sempre houve roubalheiras, tramóias, maracutaias e outros tipos desvios de conduta e caráter por parte dos congressistas e jamais ninguém tomou medidas que pudessem eufemizar, ou senão solucionar de uma vez por todas esses problemas “institucionais”. Será que dessa vez a saideira vai ser pizza podre?

A oposição também é um câncer bastante perigoso e que deve ser tratado com cautela.  Enquanto o líder do Senado for o maior símbolo do coronelismo ainda existente no Brasil, enquanto subsistirem políticos, literalmente desmoralizados, a cena política do nosso país será sempre corroída, corrompida, maculada a torto e a direito.

sábado, 30 de maio de 2009

A palavra é: irresponsabilidade

Não achei nenhuma imagem para ilustrar esse artigo, e tampouco minha indignação. Antes de tudo quero dizer que como estudante de Jornalismo e defensor do diploma como um voto a favor do profissionalismo, fiquei desapontado com a decisão do STF. Mas na verdade não é o fim do mundo, e nem motivo de paranóia, para infelicidade de muitos inescrupulosos que desejavam o fim da obrigatoriedade do diploma. Não mais o diploma, mas o talento fará a diferença, esse talvez seja o grande trunfo dentro desse momento apocalíptico para os jornalistas, também diminuirá a farra dos diplomas nas inúmeras faculdades de esquina de surgem diariamente. Algumas faculdades vão fechar, e só as melhores vão se manter. Agora, também, veremos desveladamente quais empresas jornalísticas podem levantar o mão, e verdadeiramente, se auto-proclamar séria e responsável socialmente, compromissada com o leitor-consumidor. Quanto às contratações, suponho que não mudará muita coisa, será preferível um profissional formado em jornalismo, mas não será via de regra. A verdade é que de alguma forma favorece as grandes empresas do ramo, pois a questão de pagamento do piso salarial deixa de ser necessária. Hoje, para o jornalista formado trabalhar, o mercado será mais competitivo, pois agora ele estará concorrendo a um cargo, onde quem vai determinar o que irá receber será o empregador, e não uma determinação sindical. O voto do STF humilha a memória de gerações de jornalistas profissionais e, irresponsavelmente, revoga uma conquista social de mais de 40 anos. O ministro Gilmar Mendes dizer: “A formação específica em cursos de jornalismo não é meio idôneo para evitar eventuais riscos à coletividade ou danos a terceiros”, foi um dos maiores absurdos, ou se preferir, pérola, já verbalizada por uma autoridade tão importante no país. Com essa afirmação ele revogou todos os casos de calúnia, infâmia e difamação já julgados nesse Brasil do retrocesso social e democrático. Como disse Elaine Tavares: “É um argumento anti-intelectual, anti-cultural, anti-vida.”

Vale lembrar que o diploma nunca foi exigência para praticar o jornalismo, Arnaldo Jabor, Boris Casoy, Diogo Mainardi, Miriam Leitão, são exemplos considerados “grandes” que não tem diploma em jornalismo, o que jamais e de forma alguma reduziu sua aceitação nas folhas jornalísticas. E isso roga e comprova o clichê “que nada substitui o talento”. No Brasil, a mídia deveria ser realmente tratada como 4º poder e ser comandada por pessoas sérias, idôneas e com base acadêmica. Informar e levar conhecimento pras pessoas não é algo pra ser tratado como descartável, inexpressivo, sem valor. O fim da necessidade da formação profissional representa o fim do compromisso dos jornalistas com o Código de Ética da profissão. Isso abrirá as portas do jornalismo para os picaretas, que passaram a usar a informação em interesse próprio, sem qualquer compromisso com a sociedade e com a ética, um déjà vu triste da História brasileira. Gostaria de deixar claro e evidente que, não que a formação acadêmica impeça o profissional de errar, mas o diploma é uma garantia de que ele ao menos teve acesso a um conhecimento que não pode ser adquirido como conseqüência de aptidões naturais e algum treinamento; o mesmo equivale para engenheiros, enfermeiros, dentistas. A expectativa futura para os jornalistas seria a criação do Conselho Federal de Jornalismo, que embora imprecisa e criticada, mas havendo uma reformulação poderia ser um novo marco do jornalismo brasileiro, e tudo voltaria a correr normalmente. Foi um duro golpe na democracia que afetará gerações futuras, o resultado do que se fez nesta quarta-feira repercutirá anos mais tarde. A qualidade da informação também foi e será danificado por esse ato irresponsável da justiça do Brasil. Pois citando novamente Elaine Tavares: “é bom que se diga, o jornalismo é uma das formas de se comunicar alguma coisa a alguém que traz no seu bojo todo um conjunto de regras que extrapolam o elemento primordial de simplesmente dizer a palavra. Jornalismo é um jeito de narrar que pressupõe análise, conhecimento histórico, impressão, focos narrativos, contexto, conhecimento sobre linguagem, signos etc.. Coisas que a gente precisa aprender em relações de educação formal que extrapolem o desejo criador e criativo do ser sozinho.”

Para finalizar vou citar Muniz Sodré, uma frase que vi essa semana, não lembro em que lugar: ' Como conceber hoje o funcionamento dessa instituição "quase-pública", geradora da informação necessária ao cidadão para o pleno funcionamento da democracia, sem uma formação universitária, especializada, de jornalistas? Informação não é mero produto, nem serviço: é o próprio solo da sociedade em que vivemos, é o campo onde joga o cidadão. Se a garantia dessa formação adequada se espelha hoje no diploma, viva o diploma.

I-R-R-E-S-P-O-N-S-A-B-I-L-I-D-A-D-E.