A ocupação da reitoria da UnB semana passada, foi uma mescla de tensão e descontração; tensão pois no começo quando tomaram o prédio, os estudantes foram agredidos física e moralmente pelos seguranças da universidade; a descontração ficou por conta do sujeito vestido de 'Borat' que corria dentro da instituição tentando convencer mais alunos a aderirem ao movimento e não assistirem aulas. Os estudantes reivindicam a saída do reitor Timothy Mulholland e do vice-reitor Edgar Mamiya, de forma a permitir que possam ser realizadas com isenção as investigações sobre uso irregular de recursos da instituição.
O ato de protestar, insurgir, rebelar é a forma mais democrática de reclamar algo que não condiz com a ética. No Brasil, hoje, somente os estudantes - a minoria deles - têm esse poder e espírito de luta, isso se deve à formação acadêmica, que nos faz transcender o conformismo e nos estimula como uma necessidade fisiológica quase que espontânea de questionar, de discutir, o porquê de determinado fato. Protestar é um direito concedido, jurídica, social e democraticamente a todo cidadão. Então por que apenas os estudantes "saem às ruas"? Também tem os sindicatos, que almejam o interesse do trabalhador; mas é com clareza que se vêem que esses órgãos estão intrinsecamente ligados à política e à politicagem.
Meses atrás no Paquistão, país pobre, bem mais pobre que o Brasil, ficou explícito que em relação à busca do direito coletivo, os paquistaneses estão anos-luz à nossa frente; pois foi evidente a imagem deles nas ruas clamando por democracia e por um interesse comum a todos; algo que no nosso país há muito tempo não se vê.
O indivíduo tem o dever cívico e moral adicionado ao ético, de primar pelo 'bem-conjunto', segundo esse dever, que é socialmente construído, as pessoas, em geral, deviam atentar mais para os acontecimentos políticos, sociais, culturais, etc.; totalizando, para os fatos que afetam direta e indiretamente a sua vida. E assim como fizeram os estudantes da UnB, as pessoas, - os brasileiros - diga-se de passagem, deviam ter essa índole de "correr atrás" de buscar melhorias e benefícios para a sua vida e para o coletivo através do protesto, da reivindicação, da luta.
domingo, 13 de abril de 2008
Do direito e o dever de reivindicar
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Marcadores: educação
sexta-feira, 4 de abril de 2008
Morte de Isabella, imprensa e dimensão Madeleine
Estamos acompanhando ansiosamente o desenrolar das investigações do assassinato da menina Isabella; um crime brutal que chocou a todos nós. A grande questão que a polícia, em sua semântica mais branda, tenta desvendar, é o autor do delito. Entre os acusados estão o pai, e a madrasta da menina, que negam peremptoriamente. A sociedade espera que o delinquente seja posto à vista pública, e que venha a ser julgado com o mais vigoroso rigor da "justiça brasileira", ou seja, fique preso por uns dois ou três anos. É certo que Alexandre, o pai, já tem uma jurisprudência contra si, pois Ana Carolina Cunha, a mãe, já havia registrado queixa à polícia contra o ex-marido em 2003. Na ocasião, Isabella tinha 1 ano e 4 meses, Ana afirmou à polícia que Alexandre vinha fazendo ameaças contra ela e a mãe dela, avó de Isabella. A bancária afirmou também que o ex-marido ameaçou matá-las e sumir com Isabella após uma discussão.
Mas essa mesma sociedade que clama por justiça, de antemão, predispõe e prejulga, como sendo o pai e a madrasta os criminosos; essa posição é bem nítida nas entrevistas, nas conversas, e até em alguns programas de tevê.
A imprensa em geral, e especialmente os conglomerados midiáticos tupiniquim, cumprindo o seu papel de dispersora de informação, conseqüentemente faz o sujeito(ouvinte), fecundar a sua opinião congruente com aquilo que lhe foi repassado. E pela imagem transgressora dos acusados que está sendo mostrada pela mídia, as pessoas estão aludindo imprudentemente sobre os tais. O triste acontecimento de Isabella pode e até deve estar em foco nos meios de comunicação, mas estão querendo transfigurar o caso no episódio Madeleine, menina de 3 anos, inglesa, e que desapareceu em Portugal, e que ainda hoje não há notícias do seu paradeiro; nesse incidente, uma avalanche de delações infundadas puseram os pais da menina quase num ostracismo irreversível, até que foi provado a inculpabilidade.
É preciso ter um pouco de diligência, precaução, cautela, e porque não dizer, responsabilidade, antes de difamar e destruir a vida social e a moral do sujeito. Aguardemos com moderação, e justiça seja feita.
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